O Brasil é um país que apresenta variedade incalculável de categorias em
sua fauna e flora. Talvez por isso seja tão difícil catalogar
informações suficientes de todas as classes, como é o caso da espécie de
caranguejo Cardisoma guanhumi. “Apesar de ele ser fonte de
subsistência para muitas famílias brasileiras, faltam dados sobre sua
biologia, aspectos populacionais e mortalidade”, conta o pesquisador
Ralf Schwamborn, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
“No momento, o status do C. guanhumi junto ao Ministério do
Meio Ambiente é ‘criticamente em perigo de extinção’, o que mostra que é
extremamente vulnerável. Mesmo assim, continuam as buscas para
comercialização. Essas capturas são o sustento de inúmeras famílias de
pescadores artesanais, o que torna o assunto bastante complexo e
controverso”, explica Schwamborn. “Entender os padrões de deslocamento e
as variações sazonais da espécie contribui fortemente para o manejo
adequado e a conservação”, avalia.
O trabalho foi realizado em
uma área preservada de manguezal, inserida no Centro Nacional de
Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos do Instituto Chico Mendes
de Conservação da Biodiversidade (CMA/ICMBio), em Itamaracá
(Pernambuco). De acordo com Schwamborn, na área de estudo foi estimada a
média do tamanho da população da área de coleta – cerca de 1312
indivíduos – através dos dados de 291 indivíduos de C. guanhumi marcados com o Passive Integrated Transponder
(PIT). Cabe destacar que este foi o primeiro estudo a utilizar o método
de marcação com o PIT para mostrar mudanças sazonais no comportamento
da espécie.
Os indivíduos estudados apresentaram em média largura da carapaça de
43,5 mm, bem abaixo do permitido para captura no Nordeste do Brasil, que
é de 60,0 mm. “Foi observado em 77% dos indivíduos recapturados um
comportamento de fidelidade à sua área de origem (local onde foram
capturados pela primeira vez desde o início do estudo), mesmo que fossem
soltos em áreas distantes”, conta. Manter-se fiel ao sítio pode ser uma
estratégia para evitar predação natural e proteger suas tocas ou pode
estar relacionado ao ciclo de reprodução. “Na prática, essa população
poderia ser despescada em poucos dias se não estivesse em uma área
fechada e protegida”, pontua o especialista.
Os machos demostraram ser mais ativos, enquanto as fêmeas apresentaram
em média 96% de fidelidade à sua área. “Talvez os indivíduos machos se
desloquem explorando novas áreas ou buscando as fêmeas. Neste estudo,
pela primeira vez foram observadas migrações sazonais devido ao método
utilizado de marcação e recaptura. O padrão sazonal observado em outubro
como o de menor fidelidade à área pode estar relacionado com o início
do período reprodutivo e as buscas por parceiros”, explica Schwamborn.
Por esse motivo, o estudo sugere que a proibição da captura, ou seja, o
período de defeso, tenha início no mês de outubro e não em dezembro,
como exige a legislação atual, o que aumentaria a proteção da espécie.
Legislação brasileira No Brasil, segundo Ralf Schwamborn, a legislação vigente indica o tamanho apropriado para a captura dos indivíduos machos de C. guanhumi
em cada estado. A Instrução Normativa nº 90 de 02/02/06 estabeleceu
para o estado de Pernambuco capturas de indivíduos a partir de 60,0 mm
de largura do cefalotórax/carapaça, excluindo-se os meses de dezembro a
março devido ao período reprodutivo da espécie. Desde 2002, foi proibida
a captura das fêmeas nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte,
Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.
Em dezembro de
2014, o Ministério do Meio Ambiente, através da portaria nº 445,
publicou a “Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de
Extinção – Peixes e Invertebrados Aquáticos”. As espécies constantes na
lista foram categorizadas e as medidas de proteção foram deliberadas. “O
C. guanhumi foi classificado como criticamente em perigo de
extinção e ficou protegido de modo integral, incluindo, entre outras
medidas, a proibição de captura, transporte, armazenamento, guarda,
manejo, beneficiamento e comercialização”, detalha o pesquisador.
Mas
o documento já foi substituído pelas portarias 98/2015, 163/2015 e
161/2017, sendo que esta última informa que as restrições previstas no
art. 2º da portaria 445/2014 entrarão em vigor em 30 de abril de 2018.
“Até lá, as capturas e a comercialização devem seguir as normas vigentes
de ordenamento. Os estoques deverão ser declarados até 5 de maio de
2018 e comercializados até 30 de junho de 2018”, explica. Segundo o
Ministério do Meio Ambiente, a prorrogação das medidas de manejo
publicadas na portaria 445/2014 devem ser estabelecidas de forma mais
estruturada para um manejo adequado.
Portal de Periódicos como principal ferramenta de pesquisa Ralf
e Denise são usuários da biblioteca virtual da CAPES e afirmam que
utilizam com frequência o acervo para compor suas pesquisas. “O Portal
de Periódicos da CAPES é um importante instrumento para a ciência no
Brasil. A gama de excelentes artigos científicos dispostos de forma
clara e de fácil acesso são fundamentais para a contribuição que o
Portal nos oferece. Em nossa área de atuação, estamos satisfeitos com o
Portal de Periódicos e esperamos que a qualidade dos materiais
disponíveis se mantenha”, reconhece Schwamborn.
A revista científica Helgoland Marine Research pode ser localizada por meio do link buscar periódico do Portal.
*Verifique o conteúdo do Portal de Periódicos disponível para sua instituição
O Portal de Periódicos da CAPES autoriza a reprodução parcial ou total de suas notícias desde que seja citada a fonte
Livro "Mudanças
Climáticas em Rede: um olhar interdisciplinar - contribuições do
Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas"
Organizadores: Carlos Nobre e José Marengo
Contendo 15 Capítulos, Anexos e mais de 500 páginas, o livro descreve as atividades realizadas e os principais resultados
científicos obtidos pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia
para Mudanças Climáticas (INCT para Mudanças Climáticas), de 2008 à 2016.
Chamamos a atenção para o Capítulo 10 - Zonas Costeiras (p. 307-366), de autoria de pesquisadores de diversas instituições do país, incluindo a FURG ( Margareth
S. Copertino, Carlos A. Garcia, Alexander Turra, Áurea Maria Ciotti,
Douglas Gherardi, Márcia R. Denadai, Osmar Möller, Patrizia Raggi, Paulo
Antunes Horta, Ruy P. K. Kikuchi, Renato Ghisolfi, Antonio F. Klein,
Eduardo Siegle, Paulo H. G. O. Sousa, Paulo C. Lana).
Este capítulo apresenta uma síntese dos principais resultados,
ações e impactos do subprojeto Zonas Costeiras ao longo de oito anos
de atuação (2008 a 2016).
São apresentadas as principais ações concretas que emergiram
a partir da criação do subprojeto e da sub-rede da Rede Clima, e a interação
entre os diferentes grupos de pesquisas, como a criação de redes de estudo e
monitoramento e a instalação de infraestruturas físicas observacionais
O capítulo
visa fornecer uma síntese integrada, que possa servir de base aos planos
de adaptação e mitigação de mudanças climáticas, propondo recomendações
para o avanço da ciência sobre mudanças climáticas no Brasil.
A Coordenação da Sub-rede Zonas Costeiras está na FURG desde 2008.
Informamos que a bolsa
Canadense ELAP (Emerging Leaders of
the Americas Program) está com edital aberto. Informações e todos os
detalhes do edital podem ser acessados através do seguinte
link:
Além do site acima, o seguinte
grupo de facebook pode ser extremanente útil, não somente
para as instituições de ensino mas, principalmente, aos
estudantes interessados.https://www.facebook.com/groups/alumnicanadabrasil/.São brasileiros
que estudaram no Canadá, principalmente através de bolsas de
estudo, e hoje trabalham voluntariamente, junto com o
Consulado, para poder dar dicas, auxiliar, promover estudos
no Canadá, sob o pronto de vista do estudante! Além disso,
no site do grupo (www.alumnicanadabrasil.org), é
possível fazer o download de um passo a passo sobre essa
mesma bolsa – abaixo um print da página.
“Em nosso terceiro dia no mar, descobrimos uma dúzia de pilhas de rocha
desnudas e irregulares cercadas pelo oceano. Era menor do que eu
imaginava, diria que tem o dobro do tamanho de um campo de futebol. Não
havia areia branca, picos vulcânicos, ou palmeiras, nenhuma das
atrações de outras cadeias tropicais naquela latitude, apenas picos de
de pedra, de cor âmbar, gerados em mil anos de cocô de aves marinhas – o
conjunto lembrava ilha de seriado de TV.” Essa, a abertura da matéria
que Scientific America
acaba de publicar sobre a exploração que cientistas internacionais
fizeram em São Pedro e São Paulo, antes ‘rochas’, depois penedos, hoje elevadas a arquipélago.
A beleza recém descoberta (Foto: Scientific America)
Como a vida na Terra começou pela primeira vez, e como a vida alienígena poderia evoluir em outros planetas
“Chegamos a explorar as águas
profundamente abaixo da superfície iluminada pelo sol. Colecionamos
pistas desse lugar, conhecido como São Pedro e São Paulo, sobre como a vida na Terra começou pela primeira vez e como a vida alienígena poderia evoluir em outros planetas no sistema solar. São grandes e sérias questões. Trouxemos uma vasta e séria equipe para investigar. Nossa tripulação
é de mais de 40 geólogos, microbiologistas, geofísicos, biólogos,
engenheiros, mergulhadores de águas profundas e submarinos e robôs de
uma dúzia de nações. A equipe passará as próximas duas semanas a bordo do M / V Alucia – um navio de pesquisa de 56 metros (184 pés) operado através da iniciativa Dalio Ocean. Vamos escanear o fundo do oceano, procurando amostras de rochas. Vamos analisar amostras de água com mini- submarinos de pesquisa que mergulham a mil metros abaixo da superfície.”
“Ninguém jamais explorou essas águas profundas, e ninguém sabe o que encontraremos”
“É uma área única e, portanto, pode hospedar sistemas de vida únicos”, diz Frieder Klein, um geólogo marinho, que lidera o time científico da Woods Hole Oceanographic Institution
(WHOI). Klein está de pé com os pés descalços no deck superior de
Alucia. Em calções de banho e uma camiseta MC5 desbotada, aperta os
olhos no sol do meio-dia. A poucas centenas de metros ao norte, as ondas
acenam e escapam nas margens dos 15 islotes de rocha a nossa volta.”
A localização de São Pedro e São Paulo (Ilustração: Scientific America)
A formação geológica encanta cientistas
“Klein diz que abaixo de nós, milhões de anos atrás, as placas tectônicas da Cadeia Mesoatlântica
começaram a separar-se. Esta diferença aumentou em torno da largura a
cada ano. É por isso que a Europa e a América do Norte estão agora
separados por quase 7.000 quilômetros (4.300 milhas) de oceano. Ao longo
desse lento processo, a rocha do manto terrestre, geralmente escondida
a 6 quilômetros abaixo da crosta, foi expelida à superfície.”
E a vida submarina faz pensar na evolução da Terra
A rocha aqui também poderia abrigar formas de vida inteiramente novas.
Klein explica que uma reação química entre a água do mar e o ferro nos
minerais do manto submarino cria moléculas de hidrogênio. Micróbios, microorganismos unicelulares ou multi-celulares, alimentam este hidrogênio. Esses organismos são semelhantes aos que existiram na Terra há bilhões
de anos. Podem estar intimamente relacionados às primeiras formas de
vida do planeta. Klein e sua equipe buscarão micróbios no fundo.
Analisarão os processos químicos dentro das rochas do manto. Ao fazê-lo, esperam vislumbrar sistemas da vida adiantada – uma espécie de janela de volta no tempo para o nosso eu mais primitivo. E, talvez, para nossos homólogos estrangeiros.”
Lua de planetas e rochas de São Pedro e São Paulo
“As luas geladas de Saturno e Júpiter, têm água abaixo das suas superfícies. Sabemos disso “, diz Klein. “E
essas luas contêm as mesmas rochas que estão nessas ilhas. Se as luas
distantes em nosso sistema solar têm a mesma rocha e a mesma água, eles
poderiam ter os processos químicos que alimentam as mesmas formas
básicas de vida aqui na Terra.”
História da surpreendente descoberta
“É difícil entender o conceito de que
toda a vida que já existiu veio de algumas reações químicas em rochas
feias há alguns bilhões de anos. Tudo mudou em 1977 quando um geólogo da
Universidade do Oregon, Jack Corliss, fretou um navio ao largo do
Equador e navegou até Galápagos. Corliss suspeitava que um vulcão, o que
os cientistas marinhos chamavam de respiradouro hidrotermal, entrava em
erupção. Eles implantaram um veículo de operação remota equipado com
câmera. Em um ponto particular, a uma profundidade de cerca de 2.500
metros (8.200 pés), o medidor de temperatura registrou um pico
significativo. Depois de várias horas, a equipe abriu a câmera e revelou
o filme.”
Criando vida onde a temperatura derrete chumbo
“As 13 fotografias mostraram algo extraordinário. Havia vida lá embaixo – caranguejos, mexilhões, lagostas, vermes – todos florescendo em completa escuridão em torno de uma pluma tóxica de água do mar suficientemente quente na sua fonte para derreter chumbo. A incrível pressão, 250 vezes maior que a superfície, impediu a água se tornar vapor. Corliss encontrou uma panela de pressão da vida. E não só todos os animais desta panela eram novos para a ciência. Mas, até mesmo estranhos, eles sobreviveram em um sistema biológico completamente diferente”. Esse processo é chamado…
“Nos anos que se seguiram, os
pesquisadores encontrariam mais comunidades como aquela em fundos
marinhos em todo o mundo. Descobriram que o oceano profundo era uma
espécie de galáxia composta por biosferas independentes, cada uma
orbitando em torno de seu próprio ‘sol’ químico que gerava vida. E os
animais e os micróbios haviam florescido por bilhões de anos, talvez
mais longos do que a vida no mundo terrestre.”
A vida marinhas nas fossas Marianas, a 11 mil metros de profundidade
“Pesquisadores exploraram o fundo do mar do oceano mais profundo do mundo – quase 11 mil metros abaixo da superfície, um dos ambientes mais inóspitos do planeta. Encontraram o dobro da quantidade de vida microbiana do que descobriram em profundidades menores.”
Não há limites para a vida?
“Acontece que, de muitas maneiras, as
rochas no fundo do mar profundo, enterradas sob uma milha de crosta da
Terra, no arquipélago de São Pedro e São Paulo, não são objetos
inanimados. Eles são ondulantes, sistemas de ‘respiração’ repletos de
organismos tão pequenos que se metabolizam tão devagar que ninguém nunca
notou. Até que alguns cientistas começaram a procurar.”
Pesquisadores em São Pedro e São Paulo
“Diva Amon é uma bióloga do Museu de
História Natural de Londres. Ela veio na expedição com a esperança de
encontrar vida formada pela quimiossíntese em grande escala, como
caranguejos, camarões ou qualquer outra coisa que possa estar embaixo.”
Amon declarou:
"Nós realmente não temos nem uma
compreensão básica de muitos animais no oceano, especialmente a vida
chemosintética – como eles vivem, onde eles moram e por que"
Diva Amon (Foto: Scientific America)
Menos de 1% dos oceanos profundos foram explorados
“Amon diz que menos de 1% foi explorado.
As maiores comunidades de animais vivem lá. E as ameaças que enfrentam
são muitas. A poluição, a pesca da rede de arrasto,
a mineração e as mudanças climáticas colocam esse ambiente e as
estimativas de 750 mil espécies não descobertas lá em risco.” Amon
reitera que…
"…podemos estar destruindo o habitat do
oceano profundo e seus habitantes, antes mesmo de saber o que está la.
Eu acho imperdível documentar tudo enquanto ainda podemos…"
“Sentada ao lado de Amon está Florence
“Flo” Schubotz, geoquimista do Center for Marine Environmental Sciences
na Universidade de Bremen, na Alemanha. Ela veio aqui pelas mesmas
razões, mas seus interesses são menores: a vida microscópica que vive
dentro da rocha do manto. Ela diz que..”
"…você pensa sobre isso, os organismos que vivem em
respiradouros hidrotermais podem ser algumas das primeiras [formas de]
vida no planeta – antes da vida em terra. Pois estes são sistemas
antigos…"
Escaneando o fundo do mar de São Pedro e São Paulo
“Nos próximos dois dias, o navio
circundará o arquipélago, se afastando cada rodada. À medida que
passamos pelo fundo do oceano, o Multibeam (equipamento especial)
digitalizará cada centímetro até uma resolução de cerca de 3 metros (9,8
pés) e até uma profundidade de 1.200 metros (4.000 pés). ‘Ninguém já viu nada disso antes’, diz Klein. ‘É tudo muito emocionante”.
O caranguejo foi coletado nas profundezas de São Pedro e São Paulo (Foto: Solvin Zankl)
“Ele está procurando anacronismos no
penhasco subaquático. Se as aberturas hidrotermais ativas estiverem
aqui, provavelmente serão marcadas por torres reveladoras de carbonato.”
Carbonato de cálcio, a ‘pele’ de muitos organismos marinhos
“O carbonato é uma substância comum que pode ser forjada em processos diferentes. O carbonato de cálcio, que compõe as conchas de organismos marinhos, cobre mais de metade do oceano. Os restos desses organismos mortos compõem as substâncias brancas da pasta de dente que você usou esta manhã.
Mas o carbonato que Klein está procurando provavelmente não é criado
por atividades biológicas, mas de minerais que saem da solução quando os
fluidos hidrotérmicos escaldantes encontram a água do mar fria. “Há algo promissor aqui”, diz Klein. Ele aponta para um afloramento peculiar no declive ocidental da cadeia da ilha.”
Um ouriço do mar das profundezas (Foto: Scientific America)Assista um dos vídeos produzidos: o segredo das rochas
A expedição internacional ao arquipélago de Sao Pedro e São Paulo
Ela durou mais de 15 dias, e contou com
todos os equipamentos de alta tecnologia. De submarinos a drones,
passando por laboratórios os mais completos. São Pedro e São Paulo
fascinaram os cientistas.
A Iniciativa da Dalio Ocean forneceu
financiamento para o bioGraphic através da California Academy of
Sciences’ Hope for Reefs. Este artigo é um resumo do original que você encontra aqui.
O artigo foi publicado pela primeira vez em 21 de novembro de 2017.
Seu autor é James Nestor, escritor e autor independente de Deep:
Freediving, Renegade Science (Houghton Mifflin Harcourt, 2014). Vídeos e
fotografias da Novus Select e Solvin Zankl.
Conheça as riquezas submarinas de São Pedro e São Paulo
Este é mais um dos vídeos produzidos pela expedição internacional. Atenção ao recado da cientista: “temos obrigação de preservar essa riqueza para as futuras gerações.”
É essa São Pedro e São Paulo, e Trindade e Martim Vaz, por que lutam os ambientalistas brasileiros
A Diretoria de Inovação Tecnológica da
Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação - PROPESP convida
os (as) acadêmicos (as) da Universidade a participarem do
Summer School FURG - Transformando Ideias em STARTUPS, uma
atividade de férias de verão, que proporcionará ao aluno
uma vivência de empreendedorismo e negócios em seu
processo de aprendizagem na Universidade. O Summer School
FURG será realizado nos dias 26, 27 e 28 de fevereiro e,
no dia 02 de março, com certificação de 40 horas.
Serão oferecidas 70 (setenta)
vagas gratuitas para estudantes de graduação e de
pós-graduação de todos os cursos da FURG e para
participantes dos processos de pré-incubação e de
incubação da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da
FURG, a INNOVATIO.
Mais informações podem ser
obtidas através da página do evento em: https://www.facebook.com/events/2149135058642037/,
na Diretoria de Inovação Tecnológica - DIT/PROPESP (prédio
das Pró-Reitorias - 2° andar, frente ao pav. 4) ou pelos
telefones (53)3237-3010 e (53)3237-3044.
De acordo com o dicionário a palavra atol, um substantivo masculino, significa um “recife de forma elíptica, com laguna central, que se forma distante da costa; recife circular.”
Mas não é tão simples assim. Conheça o …
Atol do ponto de vista da geografia
Um atol é uma ilha oceânica em forma de anel com estrutura coralínea
e de outros invertebrados. Seu interior abriga uma lagoa. Normalmente
o processo de criação começa por uma ilha vulcânica. Depois da
explosão, a lava chega até o mar dando sustentação a uma estrutura de
recifes costeiros que começa a se formar. Os recifes tendem a sair para
fora da boca do vulcão buscando águas ricas em nutrientes. Aos poucos,
vai formando uma barreira em volta de todo o vulcão submerso. Segundo a National Geographic, às vezes um atol conta com várias ilhotas. Os canais que se formam entre elas servem de ligação entre a laguna e o mar aberto.
Atóis: só em águas tropicais, saiba por que
Só existem recifes de coral em águas
tropicais porque “tais organismos (chamados de corais hermatípicos)
reproduzem-se apenas em águas quentes em um estreito limite de
temperatura,” explicam os especialistas Abilio Soares Gomes e Roberto
Villaça, do Programa de pós- graduação em Biologia Marinha, da
Universidade Federal Fluminense.
“A Água também deve ser rasa já que o
crescimento desses corais depende da associação com certas algas que
precisam da luz solar”, reforçam os professores.
O maior atol do mundo
Quem responde é o wikipedia: Kiritimati ou ilha Christmas é uma ilha do Pacífico, parte da república de Kiribati, uma vítima do aquecimento global. É considerada o maior atol do mundo. Tem 642 km² de superfície emersa, o que representa 70% do território de Kiribati.
Kiritimati, o maior do mundo (foto: wikipedia)
É o primeiro local habitado do mundo a
ver o nascer de cada dia, já que usa o fuso
horário UTC+14 .Consequentemente, é o primeiro país a mudar de ano. Tem
cerca de cinco mil habitantes.
Atol no Brasil
É curioso, mas o Atlântico Sul tem um
único atol, é o atol das Rocas, que fica no litoral do Rio Grande do
Norte. Quem o conheceu, como Darwin, na viagem do Beagle, fica encantado com sua beleza e biodiversidade.
O Atol das Rocas irradia beleza
Darwin descreveu o atol das Rocas em seu célebre diário da viagem, que se tornou o clássico, A Origem das Espécies:
"começou pela formação de um recife
costeiro de corais ao redor de uma ilha vulcânica. À medida que esta
ilha vai afundando o recife vai se acumulando e crescendo para fora em
busca de águas mais ricas em nutrientes e transformando-se em um recife
de barreira. A parte central, com menor circulação de água fica
preservada como uma laguna interior"
Piscinas internas cercadas por corais no Atol das Rocas
A biodiversidade do Atol das Rocas
Em geral a fantástica biodiversidade dos
atóis não se resume à vida marinha. Normalmente eles são pródigos em
aves marinhas, e aves marinhas migratórias.
A avifauna de Rocas
Em alguns atóis existem espécies endêmicas. Estas imagens demonstram bem a beleza da avifauna do atol das Rocas.
E, então, impressiona, não?
Bikini: o Atol que virou alvo nuclear
Ele fica no oceano Pacífico, sua falta
de sorte é que era longe de tudo e desabitado. O Atol de Bikini faz
parte da República das Ilhas Marshall, um país insular, com 36 ilhas,
localizado na Micronésia. A primeira explosão nuclear aconteceu em 1946.
Entre julho de 1946, e julho de 1958, o pobre atol recebeu nada menos
que 20 bombas de hidrogênio e nucleares.
Midway, o atol onde as aves marinhas morrem por ingestão de plástico!
Midway, também fica no Oceano Pacífico. Trata-se de um conjunto de ilhas que fica a mais de dois mil quilômetros do continente mais próximo. Mesmo assim, milhares de albatrozes morrem por inanição. Os pais dos filhotes confundiram o lixo flutuante com comida.
Mesmo estando a dois mil km de distância da terra mais próxima, o
plástico chega ao minúsculo atol. Por falar nisso, vc recicla o seu?
Atóis do Índico
Pacífico e Índico. Os dois foram os mais
contemplados no quesito quantidade de atóis. No Índico ficam dois
países insulares formados por atóis. A República das Maldivas, formada
por 1.196 ilhas, apenas 203 habitadas; as ilhas estão agrupadas em 26
atóis. O outro é a República das Seichelles, composto de 115 ilhas
distribuídas entre vários arquipélagos.
Em comum, além da biodiversidade, a grande beleza dos atóis. Seichelles. (foto: www.kangaroo.com.br)
Está localizada a norte e nordeste de Madagascar. E ainda existem os atóis do arquipélago do Chagos, e do Peros Banhos.
Atóis do Pacífico
São tantos que não haveria espaço para
citar todos. Vamos aos mais emblemáticos começando pelos atóis dos
Estados Federados da Micronésia; os das ilhas Salomão; da Polinésia
Francesa; da Nova Zelândia; de Kiribati; das ilhas Cook e assim por
diante. São milhares de atóis espalhados pelo maior oceano da Terra.
Polinésia Francesa, que tal? (foto: http://maravilhana.blogspot.com.br)
Fontes: Mar Sem Fim via
https://pt.wikipedia.org/wiki/Atol; https://www.researchgate.net/publication/268741576_O_Atol_das_Rocas_Ecossistema_unico_no_Oceano_Atlantico_sul;