terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Investigação pode ajudar a salvar espécie de caranguejo em extinção

O Brasil é um país que apresenta variedade incalculável de categorias em sua fauna e flora. Talvez por isso seja tão difícil catalogar informações suficientes de todas as classes, como é o caso da espécie de caranguejo Cardisoma guanhumi. “Apesar de ele ser fonte de subsistência para muitas famílias brasileiras, faltam dados sobre sua biologia, aspectos populacionais e mortalidade”, conta o pesquisador Ralf Schwamborn, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Schwamborn e a cientista Denise Moraes-Costa, também da UFPE, são autores de um estudo sobre o assunto recém-publicado pela revista científica Helgoland Marine Research. O artigo Site fidelity and population structure of blue land crabs (Cardisoma guanhumi Latreille, 1825) in a restricted-access mangrove area, analyzed using PIT tags está disponível* em texto completo para os usuários do Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
“No momento, o status do C. guanhumi junto ao Ministério do Meio Ambiente é ‘criticamente em perigo de extinção’, o que mostra que é extremamente vulnerável. Mesmo assim, continuam as buscas para comercialização. Essas capturas são o sustento de inúmeras famílias de pescadores artesanais, o que torna o assunto bastante complexo e controverso”, explica Schwamborn. “Entender os padrões de deslocamento e as variações sazonais da espécie contribui fortemente para o manejo adequado e a conservação”, avalia.

O trabalho foi realizado em uma área preservada de manguezal, inserida no Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (CMA/ICMBio), em Itamaracá (Pernambuco). De acordo com Schwamborn, na área de estudo foi estimada a média do tamanho da população da área de coleta – cerca de 1312 indivíduos – através dos dados de 291 indivíduos de C. guanhumi marcados com o Passive Integrated Transponder (PIT). Cabe destacar que este foi o primeiro estudo a utilizar o método de marcação com o PIT para mostrar mudanças sazonais no comportamento da espécie.

Os indivíduos estudados apresentaram em média largura da carapaça de 43,5 mm, bem abaixo do permitido para captura no Nordeste do Brasil, que é de 60,0 mm. “Foi observado em 77% dos indivíduos recapturados um comportamento de fidelidade à sua área de origem (local onde foram capturados pela primeira vez desde o início do estudo), mesmo que fossem soltos em áreas distantes”, conta. Manter-se fiel ao sítio pode ser uma estratégia para evitar predação natural e proteger suas tocas ou pode estar relacionado ao ciclo de reprodução. “Na prática, essa população poderia ser despescada em poucos dias se não estivesse em uma área fechada e protegida”, pontua o especialista.


 Os machos demostraram ser mais ativos, enquanto as fêmeas apresentaram em média 96% de fidelidade à sua área. “Talvez os indivíduos machos se desloquem explorando novas áreas ou buscando as fêmeas. Neste estudo, pela primeira vez foram observadas migrações sazonais devido ao método utilizado de marcação e recaptura. O padrão sazonal observado em outubro como o de menor fidelidade à área pode estar relacionado com o início do período reprodutivo e as buscas por parceiros”, explica Schwamborn. Por esse motivo, o estudo sugere que a proibição da captura, ou seja, o período de defeso, tenha início no mês de outubro e não em dezembro, como exige a legislação atual, o que aumentaria a proteção da espécie.

Legislação brasileira
No Brasil, segundo Ralf Schwamborn, a legislação vigente indica o tamanho apropriado para a captura dos indivíduos machos de C. guanhumi em cada estado. A Instrução Normativa nº 90 de 02/02/06 estabeleceu para o estado de Pernambuco capturas de indivíduos a partir de 60,0 mm de largura do cefalotórax/carapaça, excluindo-se os meses de dezembro a março devido ao período reprodutivo da espécie. Desde 2002, foi proibida a captura das fêmeas nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.

Em dezembro de 2014, o Ministério do Meio Ambiente, através da portaria nº 445, publicou a “Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção – Peixes e Invertebrados Aquáticos”. As espécies constantes na lista foram categorizadas e as medidas de proteção foram deliberadas. “O C. guanhumi foi classificado como criticamente em perigo de extinção e ficou protegido de modo integral, incluindo, entre outras medidas, a proibição de captura, transporte, armazenamento, guarda, manejo, beneficiamento e comercialização”, detalha o pesquisador.

Mas o documento já foi substituído pelas portarias 98/2015, 163/2015 e 161/2017, sendo que esta última informa que as restrições previstas no art. 2º da portaria 445/2014 entrarão em vigor em 30 de abril de 2018. “Até lá, as capturas e a comercialização devem seguir as normas vigentes de ordenamento. Os estoques deverão ser declarados até 5 de maio de 2018 e comercializados até 30 de junho de 2018”, explica. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a prorrogação das medidas de manejo publicadas na portaria 445/2014 devem ser estabelecidas de forma mais estruturada para um manejo adequado.

Portal de Periódicos como principal ferramenta de pesquisa
Ralf e Denise são usuários da biblioteca virtual da CAPES e afirmam que utilizam com frequência o acervo para compor suas pesquisas. “O Portal de Periódicos da CAPES é um importante instrumento para a ciência no Brasil. A gama de excelentes artigos científicos dispostos de forma clara e de fácil acesso são fundamentais para a contribuição que o Portal nos oferece. Em nossa área de atuação, estamos satisfeitos com o Portal de Periódicos e esperamos que a qualidade dos materiais disponíveis se mantenha”, reconhece Schwamborn.

A revista científica Helgoland Marine Research pode ser localizada por meio do link buscar periódico do Portal.

*Verifique o conteúdo do Portal de Periódicos disponível para sua instituição

O Portal de Periódicos da CAPES autoriza a reprodução parcial ou total de suas notícias desde que seja citada a fonte


Fonte: Portal Periódicos Capes / Notícias por Alice Oliveira dos Santos

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Lançamento de livro sobre mudanças climáticas


Livro  "Mudanças Climáticas em Rede: um olhar interdisciplinar - contribuições do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas"
Organizadores: Carlos Nobre e José Marengo

Contendo 15 Capítulos, Anexos e mais de 500 páginas, o livro  descreve as atividades realizadas e os principais resultados científicos obtidos pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT para Mudanças Climáticas), de 2008 à 2016. 
 

Chamamos a atenção para o Capítulo 10 -  Zonas Costeiras (p. 307-366), de autoria de pesquisadores de diversas instituições do país, incluindo a FURG ( Margareth S. Copertino, Carlos A. Garcia, Alexander Turra, Áurea Maria Ciotti, Douglas Gherardi, Márcia R. Denadai, Osmar Möller, Patrizia Raggi, Paulo Antunes Horta, Ruy P. K. Kikuchi, Renato Ghisolfi, Antonio F. Klein, Eduardo Siegle, Paulo H. G. O. Sousa, Paulo C. Lana).
 
Este capítulo  apresenta uma síntese dos principais resultados, ações e impactos do subprojeto Zonas Costeiras ao longo de oito anos de atuação (2008 a 2016). 

 São apresentadas as principais ações concretas que emergiram a partir da criação do subprojeto e da sub-rede da Rede Clima, e a interação entre os diferentes grupos de pesquisas, como a criação de redes de estudo e monitoramento e a instalação de infraestruturas físicas observacionais

O capítulo visa fornecer uma síntese integrada, que possa servir de base aos planos de adaptação e mitigação de mudanças climáticas, propondo recomendações para o avanço da ciência sobre mudanças climáticas no Brasil.

A Coordenação da Sub-rede Zonas Costeiras está na FURG desde 2008.
 
Segue também o link para download


E divulgação feita no site do INPE

http://www.inpe.br/noticias/noticia.php?Cod_Noticia=4698 
 
Fonte: Mensagem enviada pela profa. Dra. Margareth Copertino em 09/02/2018
 


CANADÁ: abertura edital bolsa ELAP

Informamos que a bolsa Canadense ELAP (Emerging Leaders of the Americas Program) está com edital aberto. Informações e todos os detalhes do edital podem ser acessados através do seguinte link:


Deadline: 17 de Abril de 2018

Além do site acima, o seguinte grupo de facebook pode ser extremanente útil, não somente para as instituições de ensino mas, principalmente, aos estudantes interessados.https://www.facebook.com/groups/alumnicanadabrasil/.  São brasileiros que estudaram no Canadá, principalmente através de bolsas de estudo, e hoje trabalham voluntariamente, junto com o Consulado, para poder dar dicas, auxiliar, promover estudos no Canadá, sob o pronto de vista do estudante! Além disso, no site do grupo (www.alumnicanadabrasil.org), é possível fazer o download de um passo a passo sobre essa mesma bolsa – abaixo um print da página.

Fonte: Secretaria do IO/FURG

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

São Pedro e São Paulo: expedição internacional ganha apoio das mais prestigiosas publicações científicas: a Scientific America

“Em nosso terceiro dia no mar, descobrimos uma dúzia de pilhas de rocha desnudas e irregulares cercadas pelo oceano. Era menor do que eu imaginava, diria que tem o dobro do tamanho de um campo de futebol. Não havia areia branca,  picos vulcânicos, ou palmeiras, nenhuma das atrações de outras cadeias tropicais naquela latitude, apenas picos de de pedra, de cor âmbar, gerados em mil anos de cocô  de aves marinhas – o conjunto lembrava ilha de seriado de TV.” Essa, a abertura da matéria que Scientific America acaba de publicar sobre a exploração que cientistas internacionais fizeram em São Pedro e São Paulo, antes ‘rochas’, depois penedos, hoje elevadas a arquipélago.
                            A beleza recém descoberta (Foto: Scientific America)

Como a vida na Terra começou pela primeira vez, e como a vida alienígena poderia evoluir em outros planetas

“Chegamos a explorar as águas profundamente abaixo da superfície iluminada pelo sol. Colecionamos pistas desse lugar, conhecido como São Pedro e São Paulo, sobre como a vida na Terra começou pela primeira vez e como a vida alienígena poderia evoluir em outros planetas no sistema solar. São grandes e sérias questões. Trouxemos uma vasta e séria equipe para investigar. Nossa tripulação é de mais de 40 geólogos, microbiologistas, geofísicos, biólogos, engenheiros, mergulhadores de águas profundas e submarinos e robôs de uma dúzia de nações. A equipe passará as próximas duas semanas a bordo do M / V Alucia – um navio de pesquisa de 56 metros (184 pés) operado através da iniciativa Dalio Ocean. Vamos escanear o fundo do oceano, procurando amostras de rochas. Vamos analisar amostras de água com mini- submarinos de pesquisa que mergulham a mil metros abaixo da superfície.”

“Ninguém jamais explorou essas águas profundas, e ninguém  sabe o que encontraremos”

“É uma área única e, portanto, pode hospedar sistemas de vida únicos”, diz Frieder Klein, um geólogo marinho, que lidera o time científico da Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI). Klein está de pé com os pés descalços no deck superior de Alucia. Em calções de banho e uma camiseta MC5 desbotada, aperta os olhos no sol do meio-dia. A poucas centenas de metros ao norte, as ondas acenam e escapam nas margens dos 15 islotes de rocha a nossa volta.”

 A localização de São Pedro e São Paulo (Ilustração: Scientific America)

A formação geológica encanta cientistas

“Klein diz que abaixo de nós, milhões de anos atrás, as placas tectônicas da Cadeia Mesoatlântica começaram a separar-se. Esta diferença aumentou em torno da largura a cada ano. É por isso que a Europa e a América do Norte estão agora separados por quase 7.000 quilômetros (4.300 milhas) de oceano. Ao longo desse lento processo, a rocha do manto terrestre, geralmente  escondida a 6 quilômetros abaixo da crosta, foi expelida à superfície.”

E a vida submarina faz pensar na evolução da Terra

A rocha aqui também poderia abrigar formas de vida inteiramente novas. Klein explica que uma reação química entre a água do mar e o ferro nos minerais do manto submarino cria moléculas de hidrogênio. Micróbios, microorganismos unicelulares ou multi-celulares, alimentam este hidrogênio. Esses organismos são semelhantes aos que existiram na Terra há bilhões de anos. Podem estar intimamente relacionados às primeiras formas de vida do planeta. Klein e sua equipe buscarão micróbios no fundo. Analisarão os processos químicos dentro das rochas do manto. Ao fazê-lo, esperam vislumbrar sistemas da vida adiantada – uma espécie de janela de volta no tempo para o nosso eu mais primitivo. E, talvez, para nossos homólogos estrangeiros.”

Lua de planetas e rochas de São Pedro e São Paulo

“As luas geladas de Saturno e Júpiter, têm água abaixo das suas superfícies. Sabemos disso “, diz Klein. “E essas luas contêm as mesmas rochas que estão nessas ilhas. Se as luas distantes em nosso sistema solar têm a mesma rocha e a mesma água, eles poderiam ter os processos químicos que alimentam as mesmas formas básicas de vida aqui na Terra.”

História da surpreendente descoberta

“É difícil entender o conceito de que toda a vida que já existiu  veio de algumas reações químicas em  rochas feias há alguns bilhões de anos. Tudo mudou em 1977 quando um geólogo da Universidade do Oregon, Jack Corliss, fretou um navio  ao largo do Equador e navegou até Galápagos. Corliss suspeitava que um vulcão, o que os cientistas marinhos chamavam de respiradouro hidrotermal, entrava em erupção. Eles implantaram um veículo de operação remota equipado com câmera. Em um ponto particular, a uma profundidade de cerca de 2.500 metros (8.200 pés), o medidor de temperatura registrou um pico significativo. Depois de várias horas, a equipe abriu a câmera e revelou o filme.”

Criando vida onde a temperatura derrete chumbo

“As 13 fotografias mostraram algo extraordinário. Havia vida lá embaixo – caranguejos, mexilhões, lagostas, vermes – todos florescendo em completa escuridão em torno de uma pluma tóxica de água do mar suficientemente quente na sua fonte para derreter chumbo. A incrível pressão, 250 vezes maior que a superfície, impediu a água se tornar vapor. Corliss encontrou uma panela de pressão da vida. E não só todos os animais desta panela eram novos para a ciência. Mas, até mesmo estranhos, eles sobreviveram em um sistema biológico completamente diferente”. Esse processo é chamado…
“Nos anos que se seguiram, os pesquisadores encontrariam mais comunidades como aquela em fundos marinhos em todo o mundo. Descobriram que o oceano profundo era uma espécie de galáxia composta por biosferas independentes, cada uma orbitando em torno de seu próprio ‘sol’ químico que gerava vida. E os animais e os micróbios haviam florescido por bilhões de anos, talvez mais longos do que a vida no mundo terrestre.”

A vida marinhas nas fossas Marianas, a 11 mil metros de profundidade

“Pesquisadores exploraram o fundo do mar do oceano mais profundo do mundo – quase 11 mil metros abaixo da superfície,  um dos ambientes mais inóspitos do planeta. Encontraram o dobro da quantidade de vida microbiana do que descobriram em profundidades menores.”

Não há limites para a vida?

“Acontece que, de muitas maneiras, as rochas no fundo do mar profundo, enterradas sob uma milha de crosta da Terra, no arquipélago de São Pedro e São Paulo, não são objetos inanimados. Eles são ondulantes, sistemas de ‘respiração’ repletos de organismos tão pequenos que se metabolizam tão devagar que ninguém nunca notou. Até que alguns cientistas começaram a procurar.”

Pesquisadores em São Pedro e São Paulo

“Diva Amon é uma bióloga do Museu de História Natural de Londres. Ela veio na expedição com a esperança de encontrar vida formada pela quimiossíntese em grande escala, como caranguejos, camarões ou qualquer outra coisa que possa estar embaixo.” Amon declarou:
"Nós realmente não temos nem uma compreensão básica de muitos animais no oceano, especialmente a vida chemosintética – como eles vivem, onde eles moram e por que"
                               Diva Amon (Foto: Scientific America)

Menos de 1% dos oceanos profundos foram explorados

“Amon diz que menos de 1% foi explorado. As maiores comunidades de animais vivem lá. E as ameaças que enfrentam são muitas. A poluição, a pesca da rede de arrasto, a mineração e as mudanças climáticas colocam esse ambiente e as estimativas de 750 mil espécies não descobertas lá em risco.” Amon reitera que…
"…podemos estar destruindo o habitat do oceano profundo e seus habitantes, antes mesmo de saber o que está la. Eu acho imperdível documentar tudo enquanto ainda podemos…"
“Sentada ao lado de Amon está Florence “Flo” Schubotz, geoquimista do Center for Marine Environmental Sciences na Universidade de Bremen, na Alemanha. Ela veio aqui pelas mesmas razões, mas seus interesses são menores: a vida microscópica que vive dentro da rocha do manto. Ela diz que..”
"…você pensa sobre isso, os organismos que vivem em respiradouros hidrotermais podem ser algumas das primeiras [formas de] vida no planeta – antes da vida em terra. Pois estes são sistemas antigos…"

Escaneando o fundo do mar de São Pedro e São Paulo

“Nos próximos dois dias, o navio circundará o arquipélago, se afastando cada rodada. À medida que passamos pelo fundo do oceano, o Multibeam  (equipamento especial) digitalizará cada centímetro até uma resolução de cerca de 3 metros (9,8 pés) e até uma profundidade de 1.200 metros (4.000 pés). ‘Ninguém já viu nada disso antes’, diz Klein. ‘É tudo muito emocionante”.

imagem de caranguejo das profundezas do arquipélago São Pedro e São Paulo
O caranguejo foi coletado nas profundezas de São Pedro e São Paulo (Foto: Solvin Zankl)

“Ele está procurando anacronismos no penhasco subaquático. Se as aberturas hidrotermais ativas estiverem aqui, provavelmente serão marcadas por torres reveladoras de carbonato.”

Carbonato de cálcio, a ‘pele’ de muitos organismos marinhos

“O carbonato é uma substância comum que pode ser forjada em processos diferentes. O carbonato de cálcio, que compõe as conchas de organismos marinhos, cobre mais de metade do oceano. Os restos desses organismos mortos compõem as substâncias brancas da pasta de dente que você usou esta manhã.  Mas o carbonato que Klein está procurando provavelmente não é criado por atividades biológicas, mas de minerais que saem da solução quando os fluidos hidrotérmicos escaldantes encontram a água do mar fria. “Há algo promissor aqui”, diz Klein. Ele aponta para um afloramento peculiar no declive ocidental da cadeia da ilha.”

imagem de ouriço-do-mar do arquipélago de São Pedro e São Paulo
Um ouriço do mar das profundezas (Foto: Scientific America)
Assista um dos vídeos produzidos: o segredo das rochas


A expedição internacional ao arquipélago de Sao Pedro e São Paulo

Ela durou mais de 15 dias, e contou com todos os equipamentos de alta tecnologia. De submarinos a drones, passando por laboratórios os mais completos. São Pedro e São Paulo fascinaram os cientistas.
A Iniciativa da Dalio Ocean forneceu financiamento para o bioGraphic através da California Academy of Sciences’ Hope for Reefs. Este artigo é um resumo do original que você encontra aqui.  O artigo foi publicado pela primeira vez em 21 de novembro de 2017. Seu autor é James Nestor, escritor e autor independente de Deep: Freediving, Renegade Science (Houghton Mifflin Harcourt, 2014). Vídeos e fotografias da Novus Select e Solvin Zankl.

Conheça as riquezas submarinas de São Pedro e São Paulo

Este é mais um dos vídeos produzidos pela expedição internacional. Atenção ao recado da cientista: “temos obrigação de preservar essa riqueza para as futuras gerações.”


É essa São Pedro e São Paulo, e Trindade e Martim Vaz, por que lutam os ambientalistas brasileiros

O que excitou a equipe internacional, é o mesmo que move um grupo de ambientalistas brasileiros faz já um certo tempo; e também nossos cientistas. A imprensa ajudou pressionando o Governo Federal. A campanha cresceu. Hoje estamos na reta final para protegermos estas duas joias da coroa mar territorial brasileiro. Proteção integral, bien sur!

Fonte: Mar sem Fim em 13/02/2018

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Summer School FURG - Transformando Ideias em STARTUPS

A Diretoria de Inovação Tecnológica da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação - PROPESP convida os (as) acadêmicos (as) da Universidade a participarem do Summer School FURG - Transformando Ideias em STARTUPS, uma atividade de férias de verão, que proporcionará ao aluno uma vivência de empreendedorismo e negócios em seu processo de aprendizagem na Universidade. O Summer School FURG será realizado nos dias 26, 27 e 28 de fevereiro e, no dia 02 de março, com certificação de 40 horas.
Serão oferecidas 70 (setenta) vagas gratuitas para estudantes de graduação e de pós-graduação de todos os cursos da FURG e para participantes dos processos de pré-incubação e de incubação da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da FURG, a INNOVATIO.
Inscrições abertas até o dia 20/02/2018 em: https://goo.gl/fs8ogB. 
Mais informações podem ser obtidas através da página do evento em: https://www.facebook.com/events/2149135058642037/, na Diretoria de Inovação Tecnológica - DIT/PROPESP (prédio das Pró-Reitorias - 2° andar, frente ao pav. 4) ou pelos telefones (53)3237-3010 e (53)3237-3044.

Fonte: Secretaria do IO/FURG

Atol, você é capaz de dizer o que é, como são formados, e quais os mais emblemáticos dos oceanos?

De acordo com o dicionário a palavra atol, um substantivo masculino, significa um “recife de forma elíptica, com laguna central, que se forma distante da costa; recife circular.”
Mas não é tão simples assim. Conheça o …

Atol do ponto de vista da geografia

Um atol  é uma ilha oceânica em forma de anel com estrutura coralínea e de outros invertebra­dos. Seu in­terior abriga uma lagoa. Normalmente o processo de criação começa por uma ilha vulcânica. Depois da explosão, a lava  chega até o mar dando sustentação a  uma estrutura de recifes costeiros que começa a se formar. Os recifes tendem a sair para fora da boca do vulcão buscando águas ricas em nutrientes. Aos poucos, vai formando uma barreira em volta de todo o vulcão submerso. Segundo a National Geographic, às vezes um atol conta com várias ilhotas. Os canais que se formam entre elas servem de ligação entre a laguna e o mar aberto.

Atóis:  só em águas tropicais, saiba por que

Só existem recifes de coral em águas tropicais porque “tais organismos (chamados de corais hermatípicos) reproduzem-se apenas em águas quentes em um estreito limite de temperatura,” explicam os especialistas Abilio Soares Gomes e Roberto Villaça, do Programa de pós- graduação em Biologia Marinha, da Universidade Federal Fluminense.
“A Água também deve ser rasa já que o crescimento desses corais depende da associação com certas algas que precisam da luz solar”, reforçam os professores.

O maior atol do mundo

Quem responde é o wikipedia: Kiritimati ou ilha Christmas é uma ilha do Pacífico, parte da república de Kiribati, uma vítima do aquecimento global.  É considerada o maior atol do mundo. Tem 642 km² de superfície emersa, o que representa 70% do território de Kiribati.
                           Kiritimati, o maior do mundo (foto: wikipedia)
É o primeiro local habitado do mundo a ver o nascer de cada dia, já que usa o fuso horário UTC+14 .Consequentemente, é  o primeiro país a mudar de ano. Tem cerca de cinco mil habitantes.

Atol no Brasil

É curioso, mas o Atlântico Sul tem um único atol, é o atol das Rocas, que fica no litoral do Rio Grande do Norte. Quem o conheceu, como Darwin, na viagem do Beagle, fica encantado com sua beleza e biodiversidade.

                               O Atol das Rocas irradia beleza
Darwin descreveu o atol das Rocas em seu célebre diário da viagem, que se tornou o clássico, A Origem das Espécies:
"começou pela formação de um recife costeiro de corais ao redor de uma ilha vulcânica. À medida que esta ilha vai afundando o recife vai se acumulando e crescendo para fora em busca de águas mais ricas em nutrientes e transformando-se em um recife de barreira. A parte central, com menor circulação de água fica preservada como uma laguna interior"
                               Piscinas internas cercadas por corais no Atol das Rocas

A biodiversidade do Atol das Rocas

Em geral a fantástica biodiversidade dos atóis não se resume à vida marinha. Normalmente eles são pródigos em aves marinhas, e aves marinhas migratórias.
                               A avifauna de Rocas
Em alguns atóis existem espécies endêmicas. Estas imagens demonstram bem a beleza da avifauna do atol das Rocas.
                              E, então, impressiona, não?

Bikini: o Atol que virou alvo nuclear

Ele fica no oceano Pacífico, sua falta de sorte é que era longe de tudo e desabitado. O Atol de Bikini faz parte da República das Ilhas Marshall, um país insular, com 36 ilhas, localizado na Micronésia. A primeira explosão nuclear aconteceu em 1946. Entre julho de 1946, e julho de 1958, o pobre atol recebeu nada menos que 20 bombas de hidrogênio e nucleares.
 Vejam como o mar tem sido desprezado até bem pouco tempo. E isso é generalizado. O desrespeito ainda persiste na vasta maioria dos países do mundo.

Midway, o atol onde as aves marinhas morrem por ingestão de plástico!

Midway, também fica no Oceano Pacífico. Trata-se de um conjunto de ilhas que fica a mais de dois mil quilômetros do continente mais próximo. Mesmo assim, milhares de albatrozes morrem por inanição. Os pais dos filhotes confundiram o lixo flutuante com comida.
 Mesmo estando a dois mil km de distância da terra mais próxima, o plástico chega ao minúsculo atol. Por falar nisso, vc recicla o seu?

Atóis  do Índico

Pacífico e Índico. Os dois foram os mais contemplados no quesito quantidade de atóis. No Índico ficam dois países insulares formados por atóis. A República das Maldivas, formada por 1.196 ilhas, apenas 203 habitadas; as ilhas estão agrupadas em 26 atóis. O outro é a República das Seichelles, composto de 115 ilhas distribuídas entre vários arquipélagos.
 Em comum, além da biodiversidade, a grande beleza dos atóis. Seichelles. (foto: www.kangaroo.com.br)
Está localizada a norte e nordeste de Madagascar. E ainda existem os atóis do arquipélago do Chagos, e do Peros Banhos.

Atóis do Pacífico

São tantos que não haveria espaço para citar todos. Vamos aos mais emblemáticos começando pelos atóis dos Estados Federados da Micronésia; os das ilhas Salomão; da Polinésia Francesa; da Nova Zelândia; de Kiribati; das ilhas Cook e assim por diante. São milhares de atóis espalhados pelo maior oceano da Terra.
 Polinésia Francesa, que tal? (foto: http://maravilhana.blogspot.com.br)
Fontes: Mar Sem Fim via  https://pt.wikipedia.org/wiki/Atol; https://www.researchgate.net/publication/268741576_O_Atol_das_Rocas_Ecossistema_unico_no_Oceano_Atlantico_sul; 
https://www.nationalgeographic.org/encyclopedia/atoll/.








Comment se forment les atolls ?