segunda-feira, 24 de julho de 2017

Tartarugas marinhas serão monitoradas na costa do ES atingida pela lama da Samarco

 

O estudo será realizado durante 5 anos em 156 km de praia, de Aracruz a Conceição da Barra. Possíveis danos provocados pela lama da Samarco serão avaliados. 

 

Filhotes de tartaruga da foz do Rio Doce, no Espírito Santo, em 2015 (Foto: Divulgação/ Arquivo Projeto Tamar)



As tartatugas marinhas que costumam visitar o litoral Norte do Espírito Santo serão monitoradas durante cinco anos, pelo projeto Tamar e pela Fundação Renova. O estudo será realizado em 156 km de praia, de Aracruz a Conceição da Barra. Possíveis danos aos animais provocados pela lama da barragem da Samarco serão avaliados. 

A ideia é avaliar aspectos como reprodução, alimentação e desova, por exemplo, para identificar se houve mudanças na dinâmica das tartarugas do litoral capixaba. 

Por serem espécies ameaçadas de extinção, podem ser mais sensíveis a mudanças no ambiente. Por isso, o resultado desse monitoramento é um indicador fundamental para avaliar as ações de reparação ambiental executadas pela Renova, após o rompimento da barragem da Samarco em Mariana, que levou lama com sedimentos de minério do Rio Doce até o mar. 

 Como será o estudo

 

Os trabalhos começam nos próximos dias e os primeiros resultados serão compartilhados com os órgãos ambientais seis meses após o início do estudo. 

O levantamento será realizado durante todo o ano e reforçado no período de desova das tartarugas, de setembro a março, quando o monitoramento ocorrerá durante o dia e também no período da noite.
Entre os locais monitorados estão áreas como Reserva Biológica de Comboios, a Terra Indígena de Comboios, Povoação, Monsarás, Cacimbas, Ipiranga, Ipiranguinha, Pontal do Ipiranga, Barra Seca/Urussuquara, Campo Grande, Barra Nova e Guriri. 

A execução das atividades irá mobilizar mão de obra local – pescadores e moradores tradicionais da costa – para detecção e monitoramento das fêmeas, ninhos e filhotes, levando em conta também o conhecimento tradicional da população. 

Todo o trabalho será supervisionado por técnicos e estagiários para possibilitar os estudos de distribuição espacial e temporal dos ninhos, proteção, identificação das espécies e avaliação do sucesso reprodutivo.
As equipes serão alocadas nas bases do Tamar ao longo da área a ser estudada e serão geridas pelos técnicos do Centro Tamar/Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). 


 

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Imagem de satélite mostra movimento de iceberg gigante que se desprendeu da Antártica

Cientistas acompanham de perto deslocamento de um dos maiores blocos de gelo a se desprender do continente gelado.

Por BBC

(Foto: BBC/Deimos Imaging)


 O iceberg gigante que se desprendeu na Antártica na última semana continua se deslocando para o mar aberto. Imagens de satélite mostram uma fenda entre o bloco de gelo de seis mil quilômetros quadrados, batizado de A-68, e a plataforma gelada Larsen C. 

O satélite Deimos-1 capturou a imagem na sexta-feira (14), o que não é fácil nesta época do ano na Antártica, por causa de suas longas noites de inverno cobertas de nuvens. A espaçonave que conseguiu avistar o iceberg usou radares e sensores infravermelhos para superar essa limitação.  


(Foto: BBC)

 

Até agora, o bloco de gelo, que tem uma área um pouco maior que o Distrito Federal e é um dos maiores já registrados, está se comportando como esperado por cientistas. Em teoria, ele deveria deslizar para o mar pelo declive formado pela ação de águas empurradas contra a costa pelos ventos do Mar de Weddell.
Mas por conta da força de Coriolis, produzida pela rotação da Terra, o iceberg é empurrado para a esquerda - o lado contrário -, e isto deve manter o bloco relativamente próximo à fronteira do continente gelado. 

Na imagem do satélite Deimos, parece que um bloco de "gelo permanente" (a área de mar congelada ao longo da costa), antes grudado ao iceberg, agora se soltou. Este gelo permanente é consideravelmente mais fino que o bloco principal e tem poucos metros de espessura (enquanto que o iceberg tem 200 metros a mais). 

Imagem térmica mostra linhas que representam água mais quente que o gelo e o ar e sugere que a camada de gelo permanente se desprendeu do iceberg (Foto: Nasa/Aqua/Modis)

Thomas Rackow e colegas do Instituto Alfred Wegener, do Centro Helmholtz para Pesquisa Marinha e Polar, está acompanhando de perto o movimento do bloco. 

Eles recentemente publicaram uma pesquisa na qual modelaram o deslocamento de icebergs nas águas da Antártica - levando em conta os diferentes fatores que agem sobre objetos grandes e pequenos. Existem basicamente quatro "rodovias" pelas quais os icebergs viajam, dependendo de seu ponto de origem. 

O A-68 deve seguir pelo caminho rumo à costa leste da Península Antártica, desde o Mar de Weddell até o Atlântico. 

"Ele deve provavelmente seguir um curso rumo ao nordeste, em direção mais ou menos ao Mar da Geórgia e às Ilhas Sandwich do Sul", afirmou Rackow à BBC News. "Será muito interessante ver se o iceberg se movimentará como esperado, comprovando os modelos atuais e nossa compreensão da física". 


Simulação de caminhos do iceberg: bloco de pequeno a médio (Classes 1-3) geralmente tem duração de dois anos; os grandes (Classes 4-5) geralmente desaparecem depois de dez anos (Foto: Rackow Et Al)


Agências de pesquisa polar já estão discutindo as oportunidades científicas que surgem do desprendimento do iceberg. 

Cientistas querem entender qual efeito a quebra do bloco de gelo deve ter sobre as áreas remanescentes da cobertura gelada. Dez por cento da área do Larsen C foi removida com a quebra do iceberg, e essa perda pode mudar a forma como as tensões e forças internas da plataforma de gelo irão se configurar e agir. 

Há várias fissuras ao norte, em um ponto conhecido como Elevação de Gelo Gipps. Essas fissuras estão estáticas há muito tempo e são mantidas por uma faixa de gelo relativamente macia e maleável. 

Pesquisadores querem ver se o rompimento da A-68 irá alterar o status dessas fissuras.

Há ainda pesquisas fascinantes para serem feitas no fundo do mar quando o iceberg se deslocar totalmente da plataforma. Fissuras anteriores levaram, por exemplo, à descoberta de novas espécies de animais. 


(Foto: BBC)


FONTE: G1/NATUREZA


quinta-feira, 20 de julho de 2017

Vídeo sobre a pesca do Bonito Listrado

Trabalho realizado, via convenio, entre o Instituto de Oceanografia da FURG e a Indústrias Alimentícias Leal Santos Ltda. Para assistir ao vídeo basta clicar na imagem abaixo:


https://www.youtube.com/watch?v=uiiWPS4fi4o


Este vídeo apresenta a captura de Bonito-listrado (uma espécie de atum, o atum da latinha) sendo capturado pelo método de Vara-e-Isca Viva. Nós desenvolvemos uma parceria onde o conhecimento de oceanografia completou a habilidade de pesca da empresa, para produzir pescado por um método considerado sustentável e com 35% menos emissão de Gases de Efeito Estufa com a redução de 35% no consumo de combustível. Este produto é ambientalmente mais amigável do que o outro método de pescar o mesmo peixe, com cerco.

FONTE: You Tube

terça-feira, 18 de julho de 2017

Baleias maiores animais do planeta, mas como conseguiram?


Baleias maiores animais do planeta. Como conseguiram a façanha? Quem responde é o New York Times: “as baleias Fin podem ter 140 mil libras. As Francas sobem na escala, para  200 mil libras. E a grande mãe de todos elas, a baleia azul, pode atingir 380 mil libras – tornando-se o maior animal que já viveu.
“Mas durante o tempo que as baleias nos impressionaram com o seu grande tamanho, as pessoas se perguntaram…”

 

“Como elas se tornaram tão colossais?”

Essa  não foi o Times que respondeu, mas um estudo que o jornal norte- americano  comentou, publicado na revista Proceedings of the Royal Society B.
“Uma equipe de pesquisadores investigou o gigantismo em baleias, leviatãs da alimentação de filtro que incluem baleias azuis, baleias Francas e baleias Fin. Os mamíferos marinhos tornaram-se ‘tamanho Jumbo’ em período relativamente recentemente, disseram. Somente nos últimos 4,5 milhões de anos”. A causa?


Baleias: maiores animais do planeta. FONTE: NYT

 
Bem, o que faz uma pessoa ser gorda, se não comer compulsivamente?
Será? Você quer dizer, pura gula?
Vejamos…

 

Mudança climática permitiu que comessem compulsivamente

NY Times: “as baleias têm uma história evolutiva interessante. Elas começaram como mamíferos castrados, há cerca de 50 milhões de anos. Ao longo de vários milhões de anos,  desenvolveram barbatanas e se tornaram criaturas marinhas. Entre cerca de 20 milhões e 30 milhões de anos atrás, algumas dessas baleias antigas desenvolveram a capacidade de filtrar-alimentação, o que significava que poderiam engolir enxames de pequenas presas em um único e gigantesco ‘golpe de garganta’. Mas mesmo com essa capacidade de alimentação, as baleias permaneceram apenas moderadamente grandes por milhões de anos”.

 

De repente bum!

Mas, de repente,” boom “-  nós as vemos muito grandes, como baleias azuis…
Foi o que disse Nick Pyenson, curador de mamíferos marinhos fósseis no Museu Nacional de História Natural da Smithsonian Institution e autor do artigo. Ele acrescentou: É como ir de baleias do tamanho das minivans a mais de dois ônibus escolares

 

Um modelo estatístico, museu de baleias fossilizadas e 4,5 milhões de anos

New York Times: “o Dr. Pyenson e seus colegas mediram mais de 140 espécimes do museu de baleias fossilizadas e, em seguida, conectaram esses dados em um modelo estatístico. Ele mostrou que várias linhagens distintas de baleias  se tornaram gigantes ao mesmo tempo, independentemente uma da outra. Começando cerca de 4,5 milhões de anos atrás, as baleias azuis gigantes apareciam em oceanos em todo o mundo ao lado de Francas e das baleias Fin”.

 

…e placas de gelo do Hemisfério Norte, o que têm a ver com isso?

“Os pesquisadores suspeitaram que ocorreu uma mudança ambiental durante esse período. Após alguma investigação, eles descobriram que esse período de tempo coincidiu com o começo precoce do período em que  as placas de gelo cobriram cada vez mais o Hemisfério Norte”.

 

Agora começamos a entender: escoamento das geleiras, nutrientes e efeito cascata…

NYT: “o escoamento das geleiras teria levado nutrientes como o ferro para  águas costeiras. Os intensos ciclos de surgimento sazonais teriam provocado que a água fria submergisse, trazendo material orgânico para a superfície. Juntos, esses efeitos ecológicos trouxeram grandes quantidades de nutrientes para a água em momentos e lugares específicos, o que gerou um efeito  cascata na rede alimentar do oceano”.
É mole, então foi assim?

Baleias: maiores animais do planeta. FONTE: NYT


 

Multidões de zooplanctons e krills se deleitam…

” Multidões de zooplânctons e de krill se reuniam para se deleitar com os nutrientes. Eles formariam manchas densas que poderiam ter muitas milhas de comprimento e largura, por mais de 20 metros de espessura. Os oceanos…

 

Os Oceanos tornaram-se buffets gigantes

O Times diz que “os oceanos se tornaram gigantescos buffets, ‘tudo-que- você-pode-comer’, para as baleias”.
Mas…tem sempre um ‘mas’ nas charadas. E apareceu um cara do contra…

 

Comida abundante não leva a nada… não mesmo?

“Comida abundante em todos os lugares não vai te levar baleias gigantes”, disse Graham Slater, biólogo evolutivo da Universidade de Chicago e autor principal do estudo.
“Como os ciclos ecológicos que alimentam as explosões de krill e zooplâncton ocorrem sazonalmente, Dr. Slater disse que as baleias precisavam migrar milhares de milhas de uma mancha de alimentos para outra. Os ancestrais de baleias maiores, que tinham tanques de combustível maiores, tiveram uma melhor chance de sobreviver às longas migrações sazonais para se alimentar. Enquanto as baleias  menores acabaram extintas”.

 

‘Se as manchas de alimentos não fossem tão distantes…’

…disse ele, “as baleias teriam crescido até um certo tamanho de corpo que fosse confortável para esse ambiente, mas elas não seriam as gigantes que vemos hoje”.
“Uma baleia azul é capaz de se mover muito mais com  menos energia do que uma baleia pequena”, disse  Slater. “Tornou-se muito vantajoso ser grande para  se deslocar para longas distâncias”.

Baleias: maiores animais do planeta. FONTE: NYT


 

Aplausos para o estudo…

“Richard Norris, paleobiologista da Scripps Institution of Oceanography, chamou o estudo de “um bom trabalho” e disse que confirmou a compreensão atual dos cientistas sobre as mudanças nos oceanos ao longo do tempo”.

 

Vivemos um momento especial

“Quando pensamos sobre o que o planeta tem sido  em sua longa história, uma baleia de 10 milhões de anos atrás era um tipo de animal diferente do que temos agora”, disse Norris. “Então, em certo sentido, vivemos em um momento especial onde podemos desfrutar a majestade de animais realmente grandes lá fora, no oceano”.



FONTE: Mar sem Fim

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Trabalho de acadêmica da Oceanologia em evento internacional




A acadêmica do curso de Oceanologia da FURG, Walkiria Salvadori Olsen, teve sua Monografia selecionada para para participar do Regional Sea Level Changes and Coastal Impacts (http://www.sealevel2017.org/). 

Walkiria recebeu bolsa integral financiada pela World Meteorological Organization.

O evento ocorreu em Nova York, na Universidade de Columbia, entre os dias 10 e 14 de julho.

O trabalho, intitulado "QUANTIFICANDO A INFLUÊNCIA DOS SANGRADOUROS NA RESPOSTA COSTEIRA EM CENÁRIOS DE ELEVAÇÃO DO NÍVEL DO MAR NO LITORAL DO RIO GRANDE DO SUL", teve a orientação da Profa. Dra. Salette Amaral de Figueiredo.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Estudo revela custo para preservação de anfíbios da Mata Atlântica

O bolsista de doutorado pleno no exterior pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) Felipe Siqueira Campos acaba de publicar um artigo na revista científica Science Advances - título disponível no acervo do Portal de Periódicos. O estudo revela que a proteção da biodiversidade de anfíbios na Mata Atlântica que estão fora de Unidades de Conservação custaria U$ 26,5 milhões (cerca de R$ 88 milhões) por ano.

A análise fornece estimações econômicas para representar componentes de biodiversidade. “Usando anfíbios como alvo de conservação, realizamos um projeto inovador mostrando que os modelos de priorização focados em diversidade funcional, filogenética e taxonômica podem incluir valores de custo-efetivo de terras. Nesse contexto, selecionamos novas áreas prioritárias para conservação na Mata Atlântica brasileira, com enfoque em espécies ameaçadas, áreas protegidas e seus respectivos valores econômicos de terra”.
O mapeamento apresentado no estudo indica que a maior diversidade funcional e filogenética de anfíbios a Mata Atlântica está na porção leste do bioma, da região central em direção ao nordeste. As áreas consideradas de mais alta prioridade estão principalmente nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo. A Mata Atlântica abriga mais da metade dos anfíbios encontrados no Brasil, mas apenas 12,9% dela está preservada.
Felipe Siqueira Campos atualmente está no último ano do doutorado pela Universidade de Barcelona (UB). O artigo também é assinado pelos pesquisadores Ricardo Lourenço de Moraes, do Departamento de Ecologia da Universidade Federal de Goiás (UFG), Mirco Solé, do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), e Gustavo A. Llorente, do Departament de Biologia Evolutiva, Ecologia i Ciències Ambientals da UB.

De acordo com os autores, a principal mensagem do estudo é que os custos econômicos de terra podem servir como um mecanismo eficaz de pagamento por serviços ambientais. “Nossas descobertas fornecem outras medidas efetivas de conservação baseadas em áreas que estabelecem novas prioridades para a avaliação da biodiversidade na Mata Atlântica, validando uma nova abordagem para investigações econômicas de terras para outras regiões ricas em espécies.”
Experiência no exterior
Sobre a experiência do doutorado pleno no exterior, Felipe destaca a possibilidade de intercâmbio e cooperação científica. “Durante os quase quatro anos de estudo fora do Brasil, eu tive a oportunidade de trabalhar e discutir projetos científicos com grandes pesquisadores renomados que vivem ou estavam de passagem por Barcelona, entre os quais eu pude compartilhar ideias, realizar cursos científicos e agregar vários conhecimentos relacionados com minha linha de pesquisa. Em função de estar inserido no âmbito acadêmico da Universidade de Barcelona, tive a oportunidade de participar de cinco grandes congressos europeus”, conta.
Dentro do Departamento de Biologia Evolutiva, Ecologia e Ciências Ambientais da UB, o local diário de trabalho do bolsista, o pesquisador brasileiro participa de um grupo de pesquisa em herpetologia liderado pelo dr. Gustavo A. Llorente. “Neste grupo, além da produção científica individual de cada um, trabalhamos constantemente com revisão e discussão de manuscritos científicos, os quais são geralmente produzidos por membros ou demais colaboradores do nosso grupo”, explica.
O ingresso neste coletivo foi fator de aumento da produtividade e de novos trabalhos, afirma Felipe. “A participação no conceituado grupo de pesquisa refletiu diretamente na minha eficiência de produtividade científica, o que certamente facilitou o processo de publicação em importantes revistas científicas. Além disso também ter me proporcionado o privilégio e a oportunidade de trabalhar como revisor de importantes periódicos científicos bastante conceituados, como Journal of Herpetology, Biodiversity and Conservation, anais da Academia Brasileira de Ciências, Herpetology NotesZootaxaNeotropical Biology and CoservationZookeysNorth-Western Journal of ZoologyInternational Journal of Biodiversity and ConservationJournal of Environmental Management e Italian Journal of Zoology.”

O bom trabalho realizado fez com que Felipe fosse pessoalmente convidado para ser membro associado da Asociación Española de Ecología Terrestre (AEET) e da British Ecological Society (BES). “Até o momento, informo que já produzimos um material de alta relevância científica. Agradeço muito em nome de todos meus co-autores a atenção e colaboração da CAPES, que, apesar da atual e acentuada crise política no Brasil, vem disponibilizando o suporte financeiro necessário para o desenvolvimento da minha pesquisa. Portanto, a colaboração da CAPES foi de fundamental importância para a realização desta pesquisa, refletindo em um conhecimento especializado e na produção de uma ciência qualitativa aplicada às estratégias prioritárias para um efetivo planejamento sistemático em conservação da biodiversidade brasileira”.

Acesse o artigo Cost-effective conservation of amphibian ecology and evolution. Pelo Portal de Periódicos, acesse a revista científica Science Advances na opção Buscar periódico.

Fonte: Alice Oliveira dos Santos via Notícias, Divulgação Científica do Portal Periódicos CAPES

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Polvos podem alterar suas sequências genéticas

                               Flickr/National Marine Sanctuaries

Os cefalópodes sempre chamaram atenção. Seja pelo cérebro gigante e pelos tentáculos capazes de abrir potes, em prática que tornou famoso o polvo alemão Paul por acertar resultados da Copa do Mundo de 2010, pelas lulas, que podem se comunicar mudando de cor, ou os chocos (também chamados de sépias ou sibas), com habilidades de camuflagem incomparáveis. Mas estudos, agora, mostram que eles são capazes até de alterar suas sequências genéticas.
Em abril de 2017, foi publicado na revista científica norte-americana Cell um estudo conduzido por pesquisadores do Laboratório Biológico Marinho em Massachusetts, nos Estados Unidos, e da Universidade de Tel Aviv, em Israel, apontando que os cefalópodes podem realizar mudanças em mais da metade de seu genoma.
Para entender o que fazem os polvos, é necessário saber a diferença entre DNA e RNA. DNA é uma cadeia presente em todas as células do organismo (com exceção das células vermelhas do sangue) que contém as informações genéticas, determinando cor dos olhos, tom da pele e predisposição a alguma doença, por exemplo. Já o RNA atua como se fosse um mensageiro, transporta instruções do DNA para as células produzirem proteínas.
Os cefalópodes se diferenciam porque nem sempre induzem mutações diretamente do DNA; eles editam grande parte desse RNA armazenado em células cerebrais. Em outras palavras, não seguem o DNA “ao pé da letra” e o RNA pode fazer alterações genéticas diferentes das que haviam sido previamente comandadas pelo DNA.
Os cientistas já sabiam dessa capacidade, mas o estudo publicado neste ano tinha como objetivo determinar com qual frequência esses animais a usavam. E é bastante: eles podem alterar cerca de 60% de seu genoma, enquanto nos serem humanos, por exemplo, essa mutação chega a apenas 1%.
“Com os cefalópodes, esse processo não é uma exceção. É regra que se ocorra essa edição”, disse o biofísico e coautor do estudo, Eli Eisenberg, da Universidade de Tel Aviv, indicando que a maioria dessas alterações genéticas ocorre no sistema nervoso, sugerindo que isso contribua no nível de inteligência deles – antes, imaginava-se que essas mudanças serviam “só” para ações como adaptação a temperaturas.
Kazuko Nishikura, professora do Instituto Wistar, da Filadélfia, nos Estados Unidos, considera “extraordinária” a capacidade de manipulação genética dos cefalópodes. “Podemos aprender muito com o cérebro dos polvos”, disse ela ao New York Times.

Aliens
                               Flickr/National Marine Sanctuaries
Os cefalópodes vêm intrigando tanto os cientistas atualmente que o zoólogo britânico Martin Well chegou a classificá-los como alienígenas, exatamente por conta da peculiaridade de seu genoma em comparação a qualquer outro animal conhecido no planeta.
Mas, apesar de ser algo aparentemente invejável, essa capacidade de alteração genética pode trazer um prejuízo evolutivo. Cientistas indicam que, se o RNA é editado, o DNA não sofre mutações, e aponta-se exatamente a mutação do DNA como forma de evolução e adaptação dos seres para sobreviver e procriar.
“Os cefalópodes pagam um preço, que é diminuir a evolução do seu genoma. Provavelmente, na evolução das espécies, eles acabaram escolhendo editar o RNA, e, talvez, os vertebrados preferiram evoluir seu genoma”, explicou o biofísico Eli Eisenberg.
Fonte: Yahoo Notícias por William Correia