sexta-feira, 16 de março de 2018

10 perguntas e respostas para facilitar a rotina acadêmica

Entender o universo científico não é tarefa fácil, até mesmo para quem está inserido nesse mundo há algum tempo. São muitas siglas, nomenclaturas e organizações envolvidas. A boa notícia é que existem investimentos para facilitar o dia a dia, como o Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
 O fato é que quanto mais buscamos informações, mais questionamentos aparecem. Posso submeter minhas produções científicas ao Portal de Periódicos? O que é o Currículo Lattes? Para que serve o código ISSN? Chegou a hora de esclarecer essas e outras temáticas que geram dúvidas na comunidade acadêmica:
1. O que é o Portal de Periódicos? Ele produz conteúdo?
O Portal de Periódicos da CAPES é uma biblioteca virtual e não uma editora. Isso significa que não produz conteúdo científico, não regula e não desenvolve revistas científicas.
Para dúvidas sobre como criar uma revista científica, os usuários devem contatar organizações como a Associação Brasileira de Editores Científicos (ABEC). A CAPES não fornece orientações sobre esse assunto, considerando que não é uma agência reguladora ou fiscalizadora de periódicos.
Casos de periódicos predatórios também devem ser relatados às entidades competentes, como a ABEC, a Open Access Scholarly Publishers Association (OASPA), a Society of Scholarly Publishing (SSP), a European Association of Science Editors (EASE), o Council of Science Editors (CSE) e a National Association of Science Writers (NASW).
2. Existe diferença entre o uso do Portal de Periódicos e das bases de dados?
Por ser uma biblioteca, o Portal de Periódicos reúne coleções de diversos editores nacionais e internacionais. Isso significa que são oferecidos recursos de pesquisa para os usuários, mas os links encontrados nos resultados sempre vão direcionar o pesquisador para a página de um editor.
As formas de busca do Portal nem sempre serão semelhantes às ferramentas oferecidas pelos editores. Em caso de dúvidas, o ideal é procurar o bibliotecário da sua instituição. Além disso, a CAPES oferece gratuitamente treinamentos online para uso dos recursos disponíveis no Portal.
3. Existe diferença entre o Acesso CAFe e o Meu Espaço?
São dois serviços distintos e independentes um do outro. O Acesso CAFe é um serviço de responsabilidade da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) que permite o acesso remoto ao acervo do Portal de Periódicos. Por meio desse recurso, o usuário pode acessar os conteúdos assinados pela CAPES de qualquer lugar e a qualquer hora, basta estar conectado à internet. Saiba mais sobre a CAFe
Por outro lado, o “Meu espaço” é uma área administrada pela equipe do Portal de Periódicos e oferece vários recursos, que permitem ao pesquisador montar seus próprios conjuntos de busca, salvar e criar alertas de pesquisas e guardar seus conteúdos preferidos em um espaço virtual permanente. O cadastro é opcional e sem vínculo ao “Acesso CAFe", tendo login e senha diferentes para cada serviço.
4. O que são gerenciadores de referências?
Ferramentas como EndNote, Mendeley e outras são softwares para acadêmicos usarem na gravação e na utilização de citações bibliográficas. Esses recursos não são gerenciados pela CAPES. De toda forma, ajudam o pesquisador em tarefas como: reunir referências bibliográficas automaticamente a partir de bases de dados; formatar manuscritos e citações instantaneamente de acordo com as normas vigentes; gerar bibliografias; criar e organizar um banco de dados de pesquisa pessoal de referências, imagens e PDFs; entre outras funções.
5. O que é o Currículo Lattes? Ele é administrado pela CAPES?
O Currículo Lattes é uma ferramenta do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e não tem vínculo com a CAPES. Segundo a agência, o recurso “se tornou um padrão nacional no registro da vida pregressa e atual dos estudantes e pesquisadores do país”. Ele faz parte da Plataforma Lattes, que integra bases de dados de currículos, de grupos de pesquisa e de instituições em um único sistema de informações. Saiba mais
6. Qual a diferença entre o Banco de Teses e Dissertações do IBICT e o Catálogo de Teses da CAPES?
Também são dois serviços distintos. A Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) integra os sistemas de informação de teses e dissertações existentes no país e disponibiliza para os usuários um catálogo nacional em texto integral. O IBICT coleta e disponibiliza os metadados (título, autor, resumo, palavra-chave etc.) e direciona o usuário ao documento original, que permanece na base da instituição de defesa.
Enquanto isso, o Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES é um sistema de busca bibliográfica que reúne e disponibiliza a versão digital de teses e dissertações produzidas pelos programas de doutorado e mestrado reconhecidos. O conteúdo em texto completo contempla documentos a partir de 2010, enquanto há registro somente de metadados de anos anteriores. Tanto os metadados quanto os arquivos completos são informados diretamente à CAPES pelos programas de pós-graduação, que se responsabilizam pela veracidade dos dados.
7. O que são índices bibliométricos? Eles são definidos pelo Portal de Periódicos?
Os índices bibliométricos são indicadores de produção e disseminação do conhecimento, bem como acompanhamento do desenvolvimento de áreas do conhecimento e padrões de autoria, publicação e uso dos resultados de investigação de produção científica. A partir desses índices, são realizadas qualificações que levam em conta uma série de aspectos.
O Portal de Periódicos não define e não gerencia nenhum tipo de índice bibliométrico, apenas disponibiliza acesso a alguns deles aos usuários, como é o caso do Fator de Impacto, provido pelo Journal Citation Reports (JCR), da Clarivate Analytics. Outros exemplos de métricas em vigor são o Índice H, a avaliação Qualis e o CiteScore, da editora Elsevier.
8. A CAPES é responsável pela revalidação de diplomas?
Não. A competência pela revalidação de diplomas de pós-graduação expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras é das universidades brasileiras que ministram cursos de pós-graduação reconhecidos na mesma área de conhecimento. O processo não passa em nenhum momento pelo Ministério da Educação (MEC) ou pela CAPES. A única responsabilidade da CAPES nessa atividade é de estabelecer orientações gerais e procedimentos relativos a reconhecimento de diplomas de pós-graduação stricto sensu no Brasil.
Para facilitar o entendimento e o acesso a dados sobre o assunto, o MEC disponibiliza o Portal Carolina Bori, que reúne informações para orientar e coordenar o processo de revalidação/reconhecimento de diplomas estrangeiros.
9. Como é feita a concessão de ISSN para periódicos? E de ISBN para livros? Quem faz é a CAPES?
O ISSN (International Standard Serial Number) é o código aceito internacionalmente para individualizar uma publicação seriada. O número é único e exclusivo do título ao qual foi atribuído. Por ser um código único, o ISSN identifica o título de uma publicação seriada durante todo o seu ciclo de existência, seja qual for o idioma ou suporte utilizado (impresso, online, CD e demais mídias). Sua concessão é feita pelo IBICT, que desenvolve desde 1975 as funções de Centro Nacional da Rede ISSN. A CAPES não tem vínculo com a atividade.
Na mesma linha, o ISBN (International Standard Book Number) é um sistema internacional padronizado que identifica numericamente os livros segundo título, autor, país e editora, individualizando-os inclusive por edição. Utilizado também para identificar software, seu sistema numérico é convertido em código de barras, o que facilita a circulação e a comercialização das obras.
O sistema ISBN é controlado pela Agência Internacional do ISBN, que orienta, coordena e delega poderes às agências nacionais designadas em cada país. No Brasil, a Biblioteca Nacional representa a Agência Brasileira desde 1978, com a função de atribuir o número de identificação aos livros editados no país. O serviço, assim como o ISSN, não conta com participação da CAPES.
10. Como fazer parte do Portal de Periódicos?
Possuem acesso livre e gratuito ao conteúdo do Portal de Periódicos pessoas vinculadas às instituições participantes do programa. A definição dos critérios de seleção está em consonância com os objetivos da CAPES de democratizar o acesso à informação científica, fortalecer os programas de pós-graduação no país e incentivar os investimentos em excelência acadêmica nas instituições de ensino e pesquisa no Brasil.
Professores, pesquisadores, alunos e funcionários não vinculados que desejam acessar o Portal de Periódicos devem procurar a biblioteca da instituição participante mais próxima. Além disso, o Portal coloca à disposição de todos os brasileiros um amplo conteúdo de acesso livre, que inclui bases de dados nacionais e internacionais selecionadas. Saiba mais
A reprodução parcial ou total de notícias é autorizada desde que seja citada a fonte: "Portal de Periódicos da CAPES"

Fonte:  Portal de Periódicos da CAPES, Boletim Eletrônico Nº 37 de 15/03/2018




quarta-feira, 14 de março de 2018

Exploração marinha, difícil e cara, ganha novo aliado: a tecnologia dos drones

Os drones, ou veículos de superfície não tripulados, são equipados com 42 sensores de pesquisa meteorológica e oceanográfica. Eles são guiados pelo GPS e controlados por leme remoto. Como não há tripulação, podem ir a ambientes difíceis  para coletar dados e ajudar os cientistas a obter uma visão melhor do estado da saúde oceânica e do clima em mudança. Começa uma nova era na exploração marinha.
 Nova era da exploração marinha. Um dos tipos de drones da empresa saildrone (Foto: saildrone)

As brutais dificuldades na exploração submarina

Um dos motivos pelos quais os cientistas conhecem menos de 5% dos oceanos profundos, é sua enorme dificuldade de exploração. É um problema logístico, e caríssimo. Os poucos submarinos remotos precisam ser levados em enormes navios. O custo operacional é proibitivo. O próprio custo dos robôs já é muito alto. Ele deve ser construído com tecnologia de ponta, usando materiais exóticos como fibra de carbono, e alta tecnologia em equipamentos embarcados. Imagine a força da pressão abaixo de 4 mil metros, profundidade média dos oceanos que têm com picos que chegam até 11 mil metros! E acredite, até nestes locais a poluição humana já chegou.
Estes equipamentos são usados com muito mais frequência na exploração de petróleo, por exemplo. É que a venda do terrível combustível fóssil  paga todas as contas e ainda sobram bilhões. O mesmo não acontece na oceanografia. Por isso, hoje os drones são essenciais, assim como outras tecnologias avançadas. Sem elas não avançaríamos.

Bóias estacionadas para pesquisar

Matéria do site www.inc.com diz que “os dados oceânicos são valiosos, mas, durante décadas, a única maneira de estudar as águas hostis do mundo era implantar uma bóia estacionária, lançar um satélite no espaço ou enviar um navio de pesquisa  que funcione a um custo de centenas de milhares de dólares por dia para operar. A Saildrone oferece aos pesquisadores governamentais, e empresas privadas, dados mais facilmente acessíveis sobre populações de peixes e vida selvagem, saúde ambiental, temperatura do oceano, clima e mudanças climáticas.

Hoje, mais drones que satélites, uma nova era na exploração marinha

“Em um ano, a Saildrone espera implantar mais de 100 drones para dar a primeira visão abrangente dos oceanos e como e por que o clima está mudando, diz o fundador Richard Jenkins. Em alguns anos, o Saildrone planeja implantar mais drones no oceano do que há satélites orbitando a Terra.”

A NOAA usa drones

Até a agência norte americana, a NOAA, utiliza os serviços do drones. Segundo a matéria, “o programa de dados serviço prestado pela Saildrone custa US $ 2.500 por dia, e os clientes atualmente incluem a pesca comercial, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, a Guarda Costeira dos EUA, e o Departamento de Segurança Interna.”
John Dabiri, professor de engenharia civil e ambiental e mecânica em Stanford, diz que a superfície do oceano é relativamente mal amostrada e há uma necessidade de formas de baixo custo para coletar dados.”

Drones no Alasca

“Jessica Cross, uma oceanógrafa da NOAA, é uma dos três principais pesquisadoras que utilizam o Saildrone (e outras tecnologias) para estudar como o Oceano Ártico absorve o dióxido de carbono, e como isso afeta as populações de peixes, a cadeia alimentar e a pesca de subsistência e comercial. Ela diz que cerca de 60% da pesca comercial mundial é feita no Alasca, o que significa que os peixes nessas águas contribuem para a segurança alimentar em todos os lugares.”
                             Exploração marinha, e drone em alto- mar (foto: saildrone)
A Saildrone não visa substituir outros sistemas de pesquisa oceânica, diz Cross. Navios, bóias e satélites ainda são necessários, mas Saildrone oferece aos pesquisadores uma visão ampliada dos cantos remotos dos oceanos do mundo.”

Uma rede de drones nos oceanos

“Agora, o Saildrone tem 20 barcos drone que realizam tarefas específicas, como medir dióxido de carbono e contar peixes. Os dados são transmitidos para um satélite e compartilhados com pesquisadores em tempo real. Uma vez que uma rede de centenas ou milhares está em vigor, diz Jenkins, o potencial de Saildrone se reunirá, pois forma uma constelação de pontos de dados interconectados no oceano que rastreia o clima da Terra de pólo a pólo.”

Fonte: Mar Sem Fim via https://www.inc.com/will-yakowicz/disruptor-25-2017-saildrone.html?cid=sf01001&sr_share=twitter.


segunda-feira, 12 de março de 2018

Pesca artesanal, e seus malefícios, é confirmada por pesquisa da FAPESP

A renomada Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) é uma instituição de fomento à pesquisa. Ela é um braço da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do governo do estado de São Paulo. Em janeiro de 2018 a agencia.fapesp.br publicou a matéria “Ausência de políticas de conservação de cardumes ameaça espécies de peixes“, assinada por Peter Moon. A pesquisa confirma a pesca artesanal, e seus malefícios.
 Pesca artesanal, e seus malefícios: nas praias do Rio Grande do Sul pescadores soltam enormes redes na área de arrebentação!

Os problemas da pesca no Brasil

O texto lembra que o problema não é exclusivo, mas mundial. Ressalta que “a redução na diversidade do que é pescado e a diminuição no tamanho dos peixes capturados são grandes desafios para a atividade.” E sugere que para enfrentar a situação seriam necessárias “políticas de conservação de cardumes e de pesca sustentável.”
Com políticas de conservação, concordamos. Mas, por incrível que pareça, a lenda da pesca sustentável persiste ainda que a própria matéria a desminta.

Vinte anos de estudo sobre a pesca artesanal em comunidades tradicionais

O autor  lembra que entre as várias situações da pesca, ” há os econômico-ecológicos ligados à pesca em pequena escala e que escapam às estatísticas dos organismos de fiscalização governamentais.” É verdade, o Mar Sem Fim já publicou matérias sobre isso quando mostramos que o problema não se restringe ao Brasil. Moon cita um estudo liderado por Alpina Begossi, do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação (Nepa) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), feita nos últimos 20 anos em sete comunidades de pescadores artesanais no litoral sul do Rio de Janeiro e norte do Estado de São Paulo.

Pesquisa confirma pesca, a pesca artesanal, e seus malefícios

A primeira radiografia foi publicada na revista Ambio. A conclusão? Alpina Begossi:
"Temos reunidos 20 anos de dados de consumo da pesca artesanal. No período, fizemos o registro das espécies de peixes consumidas e constatamos a sua crescente escassez com o passar dos anos, o que está em concordância com os indícios de que algumas espécies estavam sendo superexploradas, enquanto outras entravam para a lista vermelha das ameaçadas"
Nas sete comunidades de pesca artesanal analisadas  as  espécies mais citadas  foram “a anchova, a pescada, além da corvina, garoupa, peixe-espada, xarelete, tainha e imbetara ou betara.” Segundo a matéria “das 65 espécies mencionadas em 347 entrevistas e mais de 1,5 mil coletas sobre consumo, cerca de 33% tiveram redução de população desde o início do estudo em 1986, enquanto para 54% das espécies capturadas a situação de seus estoques é desconhecida de acordo com dados da União Internacional para a Conservação da Natureza.”
E, atenção para este dado, ” a maioria das espécies mencionadas é preterida pela pesca comercial pelo baixo volume dos cardumes. Por isso mesmo, elas têm maior valor individual e são fornecidas a restaurantes especializados no eixo Rio-São Paulo.”

‘Maioria das espécies é preterida pela pesca comercial’

Se elas não são visadas pela pesca comercial, quem seriam os responsáveis por seu desaparecimento? Mais uma vez passamos a palavra à autora, Alpina Begossi:
"Há espécies que eram comuns nos anos 1980, como a garoupa, mas que rarearam bastante. Hoje ainda se encontra garoupa, mas de tamanho menor. Já um peixe do mesmo gênero como o cherne, este não se vê mais. Não é mais citado pelos pescadores. É um caso crítico…"
Ela acrescenta que…
"Como resposta à ameaça aos cardumes, o governo brasileiro já estabeleceu diversas proibições à captura das espécies ameaçadas de extinção, sem, entretanto, incluir medidas de manejo da pesca e sem incluir prioridades no estudo dessas espécies"
E, então, os dados confirmam, ou não, a pesca artesanal, e seus malefícios?

No Brasil não há estatísticas sobre pesca, muito menos, fiscalização

Este site não se cansa de alertar para o fato de que nossa zona costeira  está ao deus-dará. Não há fiscalização por parte do órgão responsável, o Ibama. Não por falta de vontade, mas de recursos. Pode parecer inacreditável, mas o órgão tem apenas três barcos para fiscalizar nosso imenso litoral. Com esta realidade, cai por água a justificativa de que governo brasileiro já estabeleceu diversas proibições à captura das espécies ameaçadas de extinção. De que adianta proibição sem fiscalização? Quanto à prioridade nos estudos, o Mar Sem Fim concorda. A pesca no Brasil é uma esculhambação. Faltam, não só estudos prioritários, mas até mesmo estatísticas. Como fazê-los sem estatísticas?

Manejo sustentável da pesca?

Esta é outra falácia que perdura no meio acadêmico, e mesmo entre ambientalistas, especialmente os designados “socioambientais“. Este site já percorreu o litoral brasileiro do Oiapoque ao Chuí por três vezes, além de milhares de viagens menores. Navegamos mais de 30 mil milhas apenas no mar brasileiro. Em todas as viagens nosso foco eram os problemas da costa, sobressaindo entre eles a destruição da paisagem, o sumiço de ecossistemas, e a pesca.
 A pesca artesanal, e seus malefícios: pescadores artesanais da RESEX Soure (ilha do Marajó), fecham a boca do rio com redes.
Visitamos todas as Unidades de Conservação federais do litoral, especialmente as 19 RESEX, ou reservas extrativistas onde supõe-se que a pesca seria sustentável. O ICMBio assim as define: “o foco é estabelecer estratégias promissoras de produção extrativista e uso sustentável dos recursos naturais; implementar políticas públicas universais e específicas; e subsidiar a formulação destas políticas.”
Apesar do desejo, a realidade é outra. Em todas ouvimos o mesmo mantra: “acabou a pesca, diminuem os crustáceos”, confirmando nossa impressão da pesca artesanal, e seus malefícios. Em algumas, como a RESEX de Cassurubá, na Bahia, já houve até mortes entre pescadores pela disputa, cada vez mais rara, do pescado…

O problema é mundial

Parece que nosso atraso jamais será superado. A maior referência mundial em assuntos ligados aos oceanos, Sylvia Earle, em seu clássico livro, “A Terra é Azul – Por que o destino do oceano e o nosso é um só?” (Editora SESI- SP), publicado originalmente em 2009, dedicou um capítulo ao que batizou como “o mito da produção máxima sustentável“. Nele, a cientista comenta, entre outros, a pesca de arrasto no mundo…
"…fez com que várias espécies tivessem sua população reduzida em 90%. Para algumas, como o atum- rabilho, o bacalhau do Atlântico e certos tubarões, a taxa chega a 95%. E sua pesca ainda é permitida".
Note, o “e sua pesca ainda é permitida“. Isso, segundo ela…
"…levou ao desaparecimento de 90% das grandes espécies, justamente as melhores matrizes…"
Sobre ‘sustentabilidade’ disse ela,
"O conceito é brilhante…no entanto a tendências das populações é não seguir regras…A maioria dos modelos de sustentabilidade se baseia em contingências, mas, no oceano selvagem, é impossível saber (quanto mais controlar) o que é presumivelmente imprevisível."
O Mar Sem Fim concorda. Foi exatamente o que vimos ao visitar as famigeradas RESEX. Pescadores cercam totalmente bocas de rios, pescam espécies mesmo durante o defeso, retiram do mar outras abaixo do tamanho mínimo, quando não usam armadilhas macabras, como bombas, por exemplo. E todas estas práticas são ‘proibidas’. Pior: os próprios pescadores sabem do malefício que estão praticando. Mas…
Ainda tem quem acredite em ‘manejo sustentável’. Onde?

Pesca, o problema tem solução?

Sim, o estudo sistemático, profundo e abrangente mostra que ainda há tempo. Sylvia Earle diz como:
"desenvolver uma rede global de áreas de proteção integral no oceano, os ‘pontos de esperança’, me pareceu um desejo relevante e capaz de ajudar na proteção e recuperação da saúde do oceano"
Em tempo: unidades de conservação marinhas de proteção integral são os berçários protegidos de onde nada pode ser retirado. Sejam recursos vivos, ou não. Justamente o que falta ao desprotegido mar brasileiro. Apenas 0,05% de toda a zona exclusiva econômica brasileira, com aproximadamente 3,6 milhões de quilômetros quadrados, ou 40% do tamanho do Brasil, está protegida de forma integral.
Fonte: Mar Sem Fim via http://agencia.fapesp.br/ausencia_de_politicas_de_conservacao_de_cardumes_ameaca_especies_de_peixes/27001/.







 

 

terça-feira, 6 de março de 2018

Acolhida Cidadã - SiB 2018



Fonte: SiB/FURG

Ferramenta auxilia a identificar revistas para publicação de artigos

Daniel McGowan, diretor científico da Edanz, apresentou sistema que aponta melhores opções de periódicos para publicação de um trabalho científico com base no resumo ou em amostra do texto (E.Cesar)

A escolha de um periódico para publicar um trabalho representa a maior dificuldade enfrentada hoje por pesquisadores da China – país que registra uma das maiores taxas de crescimento de produção científica no mundo – durante o processo de preparação de artigos científicos.
A constatação é de uma pesquisa realizada com 333 cientistas chineses que publicam regularmente pela Edanz Group – consultoria que auxilia pesquisadores de países não falantes de língua inglesa a obter a aceitação de publicação de seus textos em revistas internacionais.
Ao serem questionados sobre qual o principal obstáculo que identificam durante a redação de um artigo científico para publicação, 118 pesquisadores chineses responderam que era escolher uma revista científica.
Outros 70 participantes da pesquisa afirmaram ter dificuldade de expressar claramente suas ideias em inglês – a língua “oficial” da ciência. Já 73 pesquisadores chineses indicaram ter problemas para compreender a orientação do periódico para os autores. E 63 disseram ter dificuldade para formatar seus artigos de acordo com as diretrizes para os autores.
“Identificar um periódico para publicar seus artigos ainda representa um problema para pesquisadores não só da China, mas também de outros países”, disse Daniel McGowan, diretor científico da Edanz Group.
McGowan participou, no dia 21 de março, do workshop “How to Write for and Get Published in Scientific Journals – Conselhos práticos de como publicar exitosamente seguindo normas internacionais na área de comunicação científica”, realizado pela FAPESP e pela Springer Brasil.
A fim de facilitar esse processo de identificação de periódicos, a empresa lançou uma ferramenta gratuita, disponível na internet, que identifica boas opções de revistas para publicação de artigos científicos específicos.
Ao digitar o resumo, ou frases-chave (ou amostra do texto no campo principal do programa), ela fornece uma lista de periódicos que publicam em áreas relacionadas ao tema da pesquisa relatada no artigo.
Os usuários do serviço podem refinar os resultados da busca com base em critérios que julgam ser importantes para publicações nas quais gostariam de publicar seu artigo, como frequência de publicação, fator de impacto e modelo de publicação e até acesso aberto.
O programa também fornece informações básicas sobre as publicações indicadas e uma lista de artigos relacionados ao tema pesquisado que a revista científica tenha publicado recentemente.
Com base nesse conjunto de informações, resta ao usuário visitar o site das publicações pelas quais se interessou para sacramentar a decisão de onde apresentar seu artigo.
“Muitos pesquisadores não levam em conta o perfil de leitor de uma determinada publicação ao submeter um artigo, por exemplo, o que é uma questão importante, que pode determinar a aceitação ou rejeição do artigo”, disse McGowan.
Avaliação
Uma das dicas dadas pelo especialista à plateia que lotou o auditório do Espaço Apas, foi basear a seleção de um periódico para publicar em uma avaliação honesta de seu artigo – incluindo aspectos relacionados à novidade apresentada pela pesquisa, à sua relevância e aos possíveis impactos na área.
“É preciso avaliar os reais avanços apresentados por suas pesquisas em comparação com o que já foi publicado”, disse McGowan. Para estimar o apelo da pesquisa, devem ser questionadas quais as reais aplicações da descoberta e se elas se estendem a outras áreas.
“Na área médica, por exemplo, algumas das questões possíveis para avaliar a relevância de um estudo científico são: quão comum é o problema ou a doença pesquisada? Ela atinge uma população específica ou é restrita a uma determinada região geográfica?”, afirmou McGowan.
De acordo com o especialista, parte das razões para a rejeição de um artigo pelas revistas científicas está relacionada a requisitos desconhecidos do periódico, problemas com as citações, fundamentação, objetivo e apresentação de dados da pesquisa, além de gramática e estilo de redação pobre e escolha inapropriada do periódico.

Fonte: Agência FAPESP por Elton Alisson


segunda-feira, 5 de março de 2018

Periódico "Desenvolvimento e Meio Ambiente" lança edição especial sobre X ENCOGERCO


A Desenvolvimento e Meio Ambiente é editada pelo Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento (PPGMADE) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Os principais objetivos da revista são publicar artigos de qualidade sobre temas socioambientais nos âmbitos local, nacional e internacional e divulgá-los amplamente em vários circuitos acadêmicos. O foco central da revista é a discussão interdisciplinar de problemáticas que se inscrevam na intersecção entre sociedade e natureza. A revista está disponível para consulta e submissão no endereço www.ser.ufpr.br/made. Recebe os trabalhos em fluxo contínuo e eventualmente organiza dossiês temáticos publicados junto aos volumes regulares ou em volumes especiais. São aceitos: (i) artigos originais e de revisão; (ii) ensaios; (iii) resenhas de livros publicados recentemente; e (iv) conferências.
Com a recente publicação dovVolume 44,  está dispónível uma edição especial do X Encontro Nacional de Gerenciamento Costeiro, organizada por Marinez E. G. Scherer e Milton L. Asmus. Todos os artigos estão disponíveis para download no link http://revistas.ufpr.br/made/index

Fonte: Secretaria do IO/FURG

sexta-feira, 2 de março de 2018

Por que um dos maiores lagos do mundo já perdeu 90% de sua água em 4 décadas

Lago Chade era a principal fonte de água de uma área de 5 mil km que corta toda a África e seu desaparecimento afeta 40 milhões de pessoas 

Antes de começar a secar, o lago Chade era como uma espécie de mar interno na ÁfricaBBC BRASIL / Getty Images 

Tratava-se do sexto lago maior do mundo e, nas fotos de satélite, chamava a atenção a intensidade da cor azul que o identificava.
Essa é descrição feita por Mary Harper, editora da BBC África, do passado do hoje agonizante lago Chade, que até o início dos anos 70 era como um mar dentro do continente.
Hoje, o lago compartilhado por Níger, Nigéria, Chade e Camarões é como uma imensa colagem de grandes poças em meio a grandes extensões de terra.
"Os povoados e cidades que antes contornavam a margem agora estão separados por hectares de desertos", diz Harper.
A razão dessas mudanças geográficas é que o lago Chade perdeu entre 80% e 90% de sua superfície nas últimas quatro décadas.
A essa crise se soma a violência do grupo radical islâmico Boko Haram, que atinge os quatro países que rodeiam o lago.
Nesta semana, representantes dos governos de 12 países e organizações como o Banco Mundial estão reunidos na Conferência Internacional do Lago Chade (ICLC), em Abuja, na Nigéria, para discutir formas de salvá-lo.
Sem água e sem pesca
O lago era a principal fonte de água do Cinturão do Sahel, uma área de 5 mil km que corta toda a África, indo do oceano Atlântico ao mar Vermelho e que serve de transição entre o deserto do Saara e a savana africana.

Mapa mostra a mudança no lago Chade entre 1972 e 2001- BBC BRASIL

Nos anos 60, o lago ocupava uma área de 25 mil km² e tinha 135 espécies de peixes, segundo a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Ciência, a Educação e a Cultura). Mas, nos anos 80, sua superfície foi reduzida a 2,5 mil Km², 10% de seu tamanho original.
Mesmo que em 2013 as chuvas na região tenham registrado um aumento excepcional, sua superfície aumentou apenas 5 mil km², 20% do que já foi, segundo a ICLC.
Um estudo publicado na revista científica Environmental Research Letters em 2011 e entidades como a ONU assinalam que a perda de volume é superior a 90%.
Essa situação afeta cerca de 40 milhões de pessoas que dependem do lago para obter água potável, pescar e cultivar as terras a seu redor.
A seca, dizem os organizadores da ICLC, provocou a perda de pastagens e o início da migração para a savana da Guiné.
Mas quais são as causas dessa situação tão dramática?

Lago chegou a ter mais de 130 espécies de peixes; a pescaria é uma das únicas fontes de renda e de alimentação para muitos que vivem perto dele Uma pergunta, algumas respostas- BBC BRASIL / Getty Images 

Não há uma só causa para o desaparecimento do lago.
Ele está sumindo devido ao manejo insustentável da água para o consumo humano e animal e também pela mudança climática.
Um estudo publicado na Environmental Research Letters atribui o desastre à tendência do lago em se dividir em outros menores em certas épocas e à extração de água para a irrigação, o que impede que ele volte a encher totalmente novamente. A construção de represas para projetos hidrelétricos nos rios que o alimentam também teve efeito devastador. Além disso, a população local diz que a quantidade de chuvas diminuiu muito desde os anos 1970.
Outra das razões da tragédia é uma má aplicação da legislação ambiental, segundo o Banco Mundial.
A Conferência do Chade acrescenta que "os mais de dois milhões de deslocados por causa da insurgência do Boko Haram, que estão reunidos nas margens, aumentam a pressão sobre o lago".
O extremismo e o deslocamento massivo de gente ali têm sido qualificados como a "crise mais ignorada do mundo". A ONU estima que quase 11 milhões de pessoas necessitem de ajuda humanitária por causa desse conflito.
Alertas

Lago Chade era a principal fonte de água do Cinturão do Sahel, uma área de extensão de 5 mil Km² - BBC BRASIL / Getty Images 

Há pelo menos 15 anos as autoridades estão falando sobre a crise do lago Chade.
"É um fato que o lago está em perigo. É verdade que, se não fizermos nada a respeito, ele se transformará em história", disse em 2004 o então presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo.
A Unesco informou que apresentará na ICLC um projeto para "preservar os oásis que restaram e evitar que eles sequem" e para impulsionar atividades econômicas ali, como a produção de uma alga chamada spirulina.
As pessoas que moram ao redor do lago Chade esperam que não seja tarde demais.

Fonte: R7 Notícias