sexta-feira, 13 de abril de 2018

Oceanos, serviços e importância, o mais importante ecossistema da Terra, hora de conhecê-los

A cada vez que você respira, deveria agradecer aos Oceanos.  O processo acontece através da fotossíntese produzida pelo estoque de fitoplâncton, algas minúsculas que raramente enxergamos. Sua massa  é muito menor do que a das plantas continentais. Ainda assim,  todos os anos as algas levam para o fundo dos oceanos 50 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (em parte produzidos por nossos carros…), gás causador do efeito estufa. O dióxido de carbono é  transformado em matéria orgânica. Oceanos, serviços e importância, hora de conhecê-los melhor.
Oceanos, serviços e importância. (Foto: wikipedia)

Geração de vida no planeta Terra

Ela surgiu primeiramente no mar. Aos poucos as criaturas marinhas foram se modificando, se adaptando à vida nos continentes. Mas foi o ‘imenso e possível oceano’ que, pela primeira vez, gerou vida no planeta.

Serviços: fornecimento de oxigênio para que respiremos

Ao produzir a fotossíntese, as algas retiram da atmosfera o dióxido de carbono e o depositam no fundo do mar, evitando que se acumulem na atmosfera acirrando o aquecimento globalRelatório, com o sugestivo nome, “O planeta está em uma encruzilhada”, apresentado durante o Congresso Mundial da Conservação- 2016, Havaí, diz que…
"desde 1970 os oceanos absorveram 93% do calor causado pelos gases do efeito estufa"
O mesmo relatório informa que…
 "…não fosse por este serviço,a Terra teria aquecido em mais 36ºC…"
Sylvia Earle, em seu A Terra é Azul, explica: ” A maior parte da ação se inicia com a luz solar. Ela é convertida em açucares simples e oxigênio nas células de trilhões de organismos microscópicos mundiais de clorofila, dióxido de carbono e água. Dessa forma, uma quantidade expressiva de dióxido de carbono fica retida nos oceanos. Enquanto isso, grandes proporções de oxigênio são devolvidos à atmosfera.”…E prossegue: “Um tipo de cianobactéria conhecido como Prochlorococcus é tão abundante (cerca de 100 octilhões vivas neste momento) que, sozinho, é responsável por cerca de 20% do oxigênio atmosférico. Outros fotossintetizantes marinhos contribuem com mais de 50% do nosso oxigênio. Teríamos dificuldade para respirar se dependêssemos apenas de árvores, grama e outras plantas de terra firme.”

Oceanos regulam o clima na Terra

Os oceanos regulam o clima na Terra através da interação entre as correntes marinhas e a atmosfera. O site nationalgeographic.org diz que “fluxos de massa de água, ou correntes, são essenciais para entender como a energia de calor se move entre os corpos de água da Terra, massas terrestres e atmosfera. O oceano cobre 71 por cento do planeta e contém 97 por cento de sua água, tornando o oceano um fator chave no armazenamento e transferência de energia térmica em todo o mundo. O movimento desse calor através das correntes oceânicas locais e globais afeta a regulação das condições climáticas locais e extremos de temperatura.”

As correntes marinhas têm papel fundamental

As correntes oceânicas estão localizadas na superfície. E também em águas profundas abaixo de 300 metros. Elas podem mover a água horizontalmente e verticalmente e ocorrem em escalas locais e globais. O oceano tem um sistema interligado de corrente ou circulação, alimentado pelo vento, marés,  rotação da Terra (efeito Coriolis), pelo Sol (energia solar) e as diferenças de densidade da água. A topografia e a forma das bacias oceânicas e das massas de terra próximas também influenciam as correntes.
O livro Amazônia Azul resume: “O oceano é uma enorme máquina térmica. O Sol aquece nas zonas tropicais e o calor armazenado na água é restituído à atmosfera nas latitudes mais elevadas (polos) estabelecido um equilíbrio térmico.”

Onde fica a água no planeta Terra?

Você já reparou que a NASA, ao estudar um planeta para o qual pretende enviar alguma nave, a primeira coisa que faz é identificar se o astro tem água? Por que? Porque sem água não há vida. O único planeta até agora descoberto, que tem água em abundância em estado líquido, é a Terra. Talvez isso explique por que a vida só foi descoberta neste mesmo planeta.

‘Oceanos retém 97% da água da Terra, sem o ‘Azul não teria o Verde’

Mais uma vez recorremos à Sylvia Earle: ” Os oceanos retém 97% da água da Terra e abriga 97% de sua biosfera. O mar controla a química do planeta, lançando na atmosfera a mesma água que voltará para a terra e para o mar através da chuva, da neve, e do granizo, reabastecendo continuamente rios, lagos e aquíferos subterrâneos.” Ela conclui: “sem o azul não haveria o verde.”

A ‘economia’ dos oceanos: US$ 3 trilhões até 2030

consultor chefe do Reino Unido, Mark Walport, aponta  oportunidades na exploração da  “economia do oceano”, mercado que deve dobrar de tamanho, para US$ 3 trilhões (R$ 9,9 trilhões), até 2030. O relatório mostra a necessidade do mundo  ter o mesmo ânimo que demonstrou na exploração de Marte ou da Lua, só que, neste caso, para explorar os oceanos.

Oceanos do mundo e valor estimado US$ 24 trilhões!

O site do telegraph.co.uk/ diz que “os oceanos do mundo têm um valor monetário estimado de US $ 24 trilhões, de acordo com um novo relatório. Se os oceanos fossem uma nação, eles constituiriam a sétima maior economia do mundo, ficando atrás apenas da Grã-Bretanha, mas à frente de países como Brasil, Rússia e Índia, disse a WWF.

Empregos gerados diretamente pelos oceanos

No Índice de Saúde do Oceano, os Empregos Marinhos abrangem meios de subsistência dependentes da costa. Embora o objetivo  inclua nove setores marinhos diferentes, o componente de empregos marítimos examina apenas 5 deles: 1) Turismo 2) Energia das Ondas e das Marés 3) Maricultura 4) Observação de Mamíferos Marinhos e 5) Pesca.

O turismo é o número 1

O turismo marítimo e costeiro compõe o maior segmento da indústria mundial de turismo e viagens,  é responsável por mais de 200 milhões de empregos em todo o mundo
O turismo cresceu de 6% a 8% ao ano desde 1985, e mais rápido nos países menos desenvolvidos (PMDs).  É a principal fonte de ganhos em moeda estrangeira em 46 dos 49 países menos desenvolvidos. (Mel e Krantz, 2007; CREST, 2009).
Oceanos, serviços e importância


O oceanwealth.org/ diz que os recifes de corais são o exemplo do turismo baseado na natureza. Mais de 350 milhões de pessoas viajam anualmente para as costas dos recifes de corais do mundo

Turismo de observação

O interesse pela megafauna marinha, como tubarões, baleias, golfinhos e tartarugas, cresceu. Enquanto alguns destes animais ainda são caçados, o seu valor para os pescadores é ofuscado pelo seu valor potencial na indústria do turismo quando estão vivos. Estima-se que cerca de 600.000 pessoas gastem mais de US$ 300 milhões anualmente para ver tubarões, garantindo cerca de 10.000 empregos em todo o mundo.  Em Palau, por exemplo, uma população estimada de 100 tubarões está apoiando US $ 18 milhões em tubarões por ano.
Alguns dados de turismo marinho:
Oceanos, serviços e importância: algumas atividades turística e empregos gerados

A dependência humana do mangue; da industria da pesca; a produtividade dos corais; e das gramas marinhas:

Oceanos, serviços e importância: produtividade de alguns habitats

 

A estocagem de dióxido de carbono por ecossistema marinho, mais um serviço prestado:

Oceanos, serviços e importância: a estocagem de dióxido de carbono  

 

Mais um serviço: a defesa da costa por ecossistema marinho:

Oceanos, serviços e importância 

 

Oceanos: nova fronteira da economia mundial

De acordo com a OCDEpara muitos o oceanos é a nova fronteira da economia. Ela abrange os setores de transportes marítimos, energia eólica, pesca, biotecnologia marinha, recursos naturais e sistêmicos. Cálculos preliminares com base na Base de dados sobre a Enocomia dos Oceanos, da OCDE, estimam a produção em 2010 em US$ 1,5 trilhões, ou seja, aproximadamente 2,5% do valor  bruto mundial. O petróleo e o gás offshore representam um terço do valor total dos setores de atividades relacionados ao oceano, seguidos do turismo marítimo e costeiro, equipamento marítimo e portos. O emprego direto acrescentou cerca de 31 milhões de postos de trabalho em 2010. Os maiores empregadores foram a pesca industrial com mais de um terço do total.

Dados da FAO: a subsistência humana e os oceanos

A FAO estima que a pesca e a aquicultura asseguram a subsistência de 10 a 12% da população mundial, com mais de 90% das pessoas empregadas pela pesca de captura trabalhando em operações de pequena escala nos países em desenvolvimento. Em 2014, a pesca produziu cerca de 167 milhões de toneladas de peixe e gerou mais de US $ 148 bilhões em exportações, garantindo acesso à nutrição para bilhões de pessoas e representando 17% do total de proteína animal global – ainda mais em países pobres.

Extração mineral nos Oceanos

Embora seja uma atividade híper impactante, destruindo o subsolo marinho, ela vem crescendo. A tendência no futuro breve é que aumente exponencialmente. Basta lembrar que, em  2010, havia mais de 620 plataformas móveis de perfuração  de petróleo offshore no mundo (fonte: wikipedia.org). Mas ainda há gás. Só na “Zona Clarion-Clipperton, acredita-se haver mais de 27 bilhões de toneladas de nódulos, contendo sete bilhões de toneladas de manganês, 340 milhões de toneladas de níquel, 290 milhões de toneladas de cobre e 78 milhões de toneladas de cobalto.” Muitos destes minerais já vêm sendo explorados embora a tecnologia seja rude, e potencialmente perigosa.

A indústria e os sulfetos maciços

Mas agora a indústria está focando na extração de sulfetos maciços (SMS) do fundo do mar contidos no que são chamados ‘black smokers’, um tipo de fonte hidrotermal. São estruturas  semelhantes a chaminés que emitem uma nuvem de material preto e partículas com altos níveis de sulfetos, como cobre, zinco, chumbo, prata e ouro ( mining-technology.com). Felizmente ainda não há tecnologia para explorar as chaminés profundas, situadas em média a 4 mil metros de profundidade. Mas que virão, é questão de tempo. Chegará o dia que serão explorados como os diamantes, cascalho e areia são extraídos das águas costeiras durante décadas (worldoceanreview.com).

Outro serviço: produção de energia

Há várias formas para se produzir energia no mar. Entre elas as usinas de marés, os campos eólicos no mar e, infelizmente, na zona costeira. E ainda há usinas aproveitando as  correntes marinhas. Geradas a partir de uma combinação de temperatura, vento, salinidade, batimetria e rotação da Terra. O Sol age como a principal força motriz, causando ventos e diferenças de temperatura. Podem ser locais adequados para a implantação de dispositivos de extração de energia, como turbinas. e outras. A última coqueluche é a energia provida pelas ondas.

Oceanos, serviços e importância: veja como funciona a geração de energia pelas ondas

 

Pesca

Ela é citada em vários tópicos da matéria. Não avançamos mais porque está claro que, apesar dos empregos gerados, e da proteína que alimenta milhões de pessoas, a pesca do modo que é praticada hoje é  a maior ameaça à vida nos oceanos. Mas não deixa de ser mais um importante serviço prestado desde tempos imemoriais. Hoje, até mesmo o alto- mar não é poupado. De atividade sustentável no passado, passou a ser totalmente insustentável a ponto dos subsídios mundiais à atividade atingirem  a estratosférica soma de US$ 35 bilhões de dólares.

A cura de doenças

Este é um campo de estudos  ainda recente. Mesmo assim muitas espécies são estudadas para a cura de doenças. Ela pode vir de um simples tubarão (osteoporose), ou de outros organismos, como escamas de peixes. Muitas doenças como a AIDS, leucemia, e herpes já usam organismos marinhos sintetizados em suas fórmulas. A Organização Mundial da Saúde revela que os já conhecidos antibióticos não tem mais efeitos. A substituição pode vir do mar.




 

 

 



quarta-feira, 11 de abril de 2018

Tubarões ou cações, está na hora de conhecer a importância deste predador do topo da cadeia

Tubarões ou cações: sua importância reside no que diz o título, ‘predadores do topo da cadeia de vida marinha’. Ao acabar com eles, como vem acontecendo por motivos fúteis e mesquinhos, a pesca industrial está contribuindo para um tremendo e definitivo abalo em toda a cadeia de vida dos oceanos. Eliminando os tubarões, a pesca acaba com o que os pescadores mais precisam: abundância de peixes!
Morto em Pernambuco (Foto:www.notibras.com)

A importância dos predadores

Predadores de topo de cadeia são responsáveis pela manutenção do equilíbrio no ecossistema marinho. Eles se alimentam de peixes e invertebrados que estão menos aptos à sobrevivência, garantindo a saúde dos estoques pesqueiros de todo o mundo. Ainda assim,  por ano são massacrados cem milhões de tubarões ou cações. O principal responsável pelo massacre é a pesca industrial, mas a esportiva, ao menos no Brasil, também tem sua parcela de culpa. Quanto à sobrepesca, nem se fala.

Conheça os tubarões ou cações

Eles habitam o planeta há mais de 450 milhões de anos. Os tubarões se distribuem em cerca de 470 espécies por todo o mundo (no Brasil são conhecidas 88), variando na sua forma e tamanho. Há os pequenos, como o tubarão-lanterna, o menor do mundo, com 17 centímetros de comprimento…
O tubarão- lanterna se alimenta de pequenos seres vivos que, por sua vez, se alimentam de microorganismos. (Foto: http://topbiologia.com/)  
 até ao maior peixe do mundo, o tubarão-baleia com mais de 12 metros

Tubarão ou cação?

Tubarões ou cações são o mesmo animal. Nome dado vulgarmente aos peixes de esqueleto cartilaginoso e um corpo hidrodinâmico.   A cartilagem é flexível e durável e tem cerca de metade da densidade do osso. Isto reduz o peso do esqueleto, poupando energia. “Geralmente não vivem em água doce, com algumas exceções, como o tubarão-cabeça-chata e o tubarão de água doce que podem viver em ambas.

Os “temíveis” dentes

Dentes de tubarão são incorporados nas gengivas e não diretamente no maxilar, e são constantemente substituídos ao longo da vida. Diversas linhas de dentes substitutos crescem  na parte interna da mandíbula e progressivamente avançam como em uma “escada rolante”; os tubarões ou cações perdem em média 6.000 dentes por ano e chegam a perder 30.000 durante toda sua vida.” 

Expectativa de vida

A expectativa  varia de acordo com a espécie. A maioria vive entre 20 e 30 anos. Algumas espécies, no entanto, como o cação espinhoso, ou o tubarão- baleia, podem viver mais de 100 anos.

As barbatanas dos tubarões

“A maioria dos tubarões ou cações têm oito barbatanas. Tubarões só podem desviar-se de objetos diretamente à sua frente ficando à deriva, porque suas barbatanas não permitem que nadem para trás.” E elas hoje são seus piores inimigos.
Mais de cem milhões são mortos todos os anos, grande parte deles têm suas barbatanas arrancadas e são devolvidos ao mar para morrerem lentamente. As barbatanas tornaram-se sinal de status em países asiáticos. Com elas são feitas insípidas sopas (já que se trata de cartilagem). O Brasil, infelizmente, participa deste massacre.

Flutuabilidade

“Ao contrário dos peixes ósseos, os tubarões ou cações não têm bexigas cheias de gás para a flutuabilidade. Eles dependem de um fígado grande, cheio de óleo que contém esqualeno,  um composto orgânico produzido por todos os organismos superiores. Seu fígado constitui até 30% da sua massa corporal.”

Visão, olfato e audição

“Cientistas acreditam que, como muitos outros peixes, os tubarões são míopes. Sua visão é adaptada apenas para distâncias entre 2 e 3 metros, embora possa ser utilizada para distâncias de até 30 m com menor grau de definição.”
O olfato é, de longe, sua melhor arma. “Ele é extremamente apurado, permitindo-lhes identificar substâncias bastante diluídas na água, como concentrações de sangue, e outros líquidos também,  abaixo de uma parte por milhão, o que equivale a perceberem uma gota de sangue a 300 m de distância em pleno oceano.”
O seu ouvido interno, responsável pelo equilíbrio e detecção das vibrações de baixa frequência, situa-se próxima ao olho. Eles têm grande sensibilidade às vibrações. O tubarão ‘percebe’ o som de um peixe se debatendo a uma distância de 250 a 1500 m. Em conjunto com o olfato, esta sensibilidade às vibrações, é o primeiro mecanismo utilizado na detecção de potencial alimentação.

Reprodução

tempo de gestação é longo, podendo atingir os dois anos. E isso é outro sério problema com a matança que ocorre hoje. Não há tempo suficiente para substituí-los. O número de crias, varia bastante podendo ir de 1 (tubarão tigre da areia) a cerca de 300 (tubarão-baleia). O site  sharks-world.com diz que “aspectos gerais de sua reprodução são crescimento lento e maturidade sexual tardia, ciclos reprodutivos muito longos, baixa fertilidade.

Tubarões ou cações são agressivos, mito ou realidade?

O grande tubarão-branco, que chega a medir até 5,5 metros, ‘foi alçado à fama’ mundial como assassino na década dos 70 com o filme “Tubarão”, de Steven Spielberg. Um desserviço prestado pelo cineasta; encheu seus bolsos de dólares, e sua reputação foi às alturas. Mas depois do filme os tubarões passaram a ser vistos como ‘inimigos a serem abatidos’, o que é um absurdo. Sobre ser um animal “agressivo”, leia o que disse o Dr. Erich K. Ritter, Senior Scientist no  Green Marine Institute, e Professor Assistente na Hofstra University, New York:
"Quando seres humanos usam suas emoções para descrever organismos vivos, chamamos de antropomorfismo. Isso pode se estender do lobo “mau” até a raposa “astuta”,  ou a cobra “falsa”. Mas não significa que o comportamento desses animais corresponda a esses atributos, e sim que os humanos percebem ou interpretam os animais sob essa luz. Um dos melhores exemplos disso é o tubarão “agressivo”.  O tubarão “agressivo” é tão irreal quanto o “adorável” tubarão. Ambos imagens de nossas próprias fantasias."
Por falar em fantasia, este é o raríssimo tubarão fantasma (foto:Foto: Azula) 

As funções dos tubarões ou cações no ecossistema marinho

O site  sharksavers.org diz que “os tubarões evoluíram em uma interdependência estreita com seu ecossistema. Eles tendem a comer de forma  eficiente, indo atrás do peixe velho, doente ou mais lento em uma população, mantendo-a mais saudável. Os tubarões preparam populações  para o tamanho certo, de modo  que essas espécies não causem danos ao ecossistema tornando-se muito populosas.” 
Alguns também buscam no fundo do mar para se alimentarem de carcaças mortas. Removendo os doentes e os fracos, eles impedem a propagação de doenças e previnem surtos que poderiam ser devastadores.  Como os peixes maiores, mais fortes e saudáveis geralmente se reproduzem em maior número, o resultado é um número maior de peixes saudáveis.
O ecossistema oceânico é composto de teias alimentares muito intrincadas. Os tubarões estão no topo dessas teias e são considerados pelos cientistas como “pedras-chave”, o que significa que removê-los faz com que toda a estrutura entre em colapso.

Tubarões mantém habitats saudáveis

Tubarões mantêm leitos de gramas marinhas e outros habitats  saudáveisAtravés da intimidação, os tubarões regulam o comportamento das espécies e impedem-nas de destruir habitats.  Cientistas do Havaí descobriram que os tubarões-tigre tiveram impacto positivo na saúde dos leitos de gramas marinhas. As tartarugas, que são suas presas, pastam na grama do mar. Na ausência de tubarões-tigre, as tartarugas passavam todo o tempo procurando a grama marinha de melhor qualidade e mais nutritiva. 
Tubarão tigre (Foto: Daniel Botelho)      

Esses habitats logo foram destruídos. Quando os tubarões-tigre estão na área, no entanto, as tartarugas pastam sobre uma área mais ampla e não sobrepujam toda uma região. Onde os tubarões são eliminados, o ecossistema marinho perde o equilíbrio. A excessiva pesca de tubarões ou cações já está causando sérios problemas ao mais importante ecossistema marinho, os corais.

Tubarões podem desaparecer nas próximas décadas

Quase 40% de todas as espécies de tubarão estão ameaçadas de extinção. Estes animais, que sobreviveram por 450 milhões de anos, podem desaparecer em breve, mesmo que algumas espécies hoje são estudadas para curar doenças como a osteoporose, por exemplo.
O tubarão elefante é um filtrador. Dele pode vir a cura para a osteoporose 
A crescente demanda por sopa de barbatana aumentou tanto o abate  que muitas espécies estão em vias de extinção. É este o futuro que queremos deixar para as próximas gerações?
Já ficou provado que estes animais valem mais vivos que mortos. Por isso ambientalistas lutam pela criação de santuários de tubarões no Brasil, e no mundo. Eles são tão importantes que são monitorados com satélites.
Fontes:  Mar Sem Fim



segunda-feira, 9 de abril de 2018

IV WORKSHOP SOBRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS EM ZONAS COSTEIRAS

A sub-rede Zona Costeira da Rede Brasileira de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede CLIMA) e o Sistema de Monitoramento da Costa Brasileira (SiMCosta) promovem o IV Workshop sobre Mudanças Climáticas em Zonas Costeiras, com ênfase em Monitoramento e Modelagem. O evento ocorrerá entre os dias 10 a 12 de abril, em Florianópolis, Santa Catarina. Mais informações no site e pelo email workshop.simcosta@gmail.com


Fonte:  Secretaria do IO/FURG

Nova espécie de golfinho é descoberto na Amazônia

Em artigo publicado na revista PLoS One, cientistas liderados por Tomas Hrbek, da Universidade Federal do Amazonas do Brasil, descrevem formalmente o ‘Inia Araguaiaensis’, uma nova espécie de golfinho que habita a bacia do Rio Araguaia. É o primeiro boto de água doce  descoberto desde 1918. 
A nova espécie da bacia do Araguaia (Foto: news.mongabay.com) 

Nova espécie de golfinho isolado por quedas d’água

A descoberta aconteceu depois que Hrbek e seus colegas notaram que um grupo de golfinhos do rio Araguaia foi isolado de outros  por uma série de corredeiras. Análises genéticas demonstraram que o boto (Inia Araguaiaensis) é muito diferente  de outros da Amazônia. O suficiente para ser classificado como uma nova espécie . 

Nova espécie de golfinho e suas diferenças

As diferenças entre o boto do Araguaia e seus parentes próximos, o golfinho do rio boliviano Inia, vão além da genética. A nova espécie é menor, tem um número diferente de dentes; o crânio é mais amplo. Há no mundo cerca de 40 tipos de golfinhos, e muitos deles ameaçados de extinção.
No Brasil, uma das espécies mais ameaçadas são as Toninhas.

Ameaças à nova espécie de golfinho

Mas não se iluda, a nova espécie já está ameaçada. Eles enfrentam riscos de projetos hidrelétricos, poluição das áreas urbanas, e as de  agricultura, tráfego de barcos e pesca acidental.  Além disso sua população é bastante baixa. Aparentemente,  o número é estimado em cerca de 1.000 indivíduos.
Segundo os responsáveis,
"As populações de médio e alto rio Tocantins são fragmentados por seis usinas hidrelétricas, não incluindo a barragem de Tucuruí, e é provável que tenham muito poucos indivíduos."
Para os cientistas,
"a bacia do Rio Araguaia tem  registrado forte pressão antrópica  através de atividades agrícolas e pecuárias, e a construção de hidrelétricas. E todos estes aspectos  têm tido efeitos negativos sobre a biodiversidade local"

Saiba mais sobre os problemas da biodiversidade amazônica.

Fonte: Mar Sem Fim  via  news.mongabay.com


sexta-feira, 6 de abril de 2018

Gramas marinhas, cientistas alertam que estão entre os mais ameaçados ecossistemas

As gramas marinhas evoluíram pela primeira vez dezenas de milhões de anos atrás, quando algumas plantas com flores se deslocaram da terra para o oceano. Elas ainda cultivam flores, pólen e sementes. Mas agora o fazem debaixo d’água, com uma poderosa forma de fotossíntese que lhes permite prosperar em penumbra a profundidades de até 190 pés. Agora, revelam cientistas, elas estão entre os mais ameaçados ecossistemas. A matéria é do New York Times.
Mais um ecossistema marinho ameaçado. (Foto: sciencemag.org)

Onde estão as gramas marinhas?

Em todos os continentes, exceto na Antártida. Os continentes são cercados por vastas extensões de gramas marinhas. São pradarias submarinas que, juntas, cobrem uma área aproximadamente igual à Califórnia.

O papel que elas prestam

Gramas marinhas estão entre os ecossistemas mais ameaçados da Terra. As do Mediterrâneo estão entre as mais predadas. Elas desempenham um papel enorme na saúde dos oceanos. Abrigam importantes espécies de peixes, filtram poluentes da água do mar e armazenam enormes quantidades de carbono que aquece a atmosfera.

Elas também combatem doenças

As plantas também combatem doenças. Uma equipe de cientistas relatou  que as gramas marinhas podem eliminar patógenos do oceano que ameaçam os seres humanos e os recifes de corais. (A primeira dica veio quando os cientistas foram atingidos por disenteria após mergulharem em recifes de coral sem elas.)
Foto: NYT

Desaparecendo a uma taxa de um campo de futebol a cada 30 minutos

Joleah B. Lamb, pesquisadora de pós-doutorado da Universidade de Cornell e principal autora do novo estudo, disse que espera que isso ajude a chamar a atenção para a situação:
"Nós chamamos de gramas marinhas  o  enteado feio dos organismos marinhos. Elas não recebem muito respeito, em comparação aos corais e manguezais"

Gramas marinhas se tornaram mais produtivas do que os campos de milho fertilizados

A declaração é de um dos autores do estudo. Ele explica: ao se espalharem pelo planeta, os prados alteraram o fundo do mar, construíram solo e apoiaram ecossistemas inteiramente novos. Animais como peixes-boi e peixes juvenis passaram a residir onde elas estão. As orcas são uma grande atração turística, mas as pessoas não percebem que os ninhos de ervas são realmente importantes como berçários para os peixes que o salmão exige, e que as orcas também exigem em sua alimentação, disse C. Drew Harvell, biólogo marinho de Cornell, e autor sênior do novo estudo. E prossegue: os seres humanos dependem desses viveiros também. Muitas das espécies capturadas na pesca comercial começam a vida em meio as ervas marinhas. Sem elas, os pescadores pegariam muito menos peixes.

Serviços creditados às gramas marinhas

O sedimento em que elas crescem é carregado com sulfeto de hidrogênio mortal. Elas desintoxicam estes sedimentos bombeando parte do oxigênio que liberam durante a fotossíntese em suas raízes. Na pesca o benefício ainda é maior: em 2014, pesquisadores da Universidade de Cambridge estudaram pradarias  no sul da Austrália para estimar o valor que elas trazem para a indústria pesqueira. Eles estimam que cada hectare  acrescenta cerca de US $ 87.000 por ano. Somente esses serviços tornariam as ervas marinhas entre os ecossistemas economicamente mais valiosos da Terra. Mas agora o Dr. Harvell descobriu que essas plantas podem nos ajudar de outra maneira: eliminando patógenos. Seu novo estudo, publicado na revista Science, começou com uma viagem  na Indonésia. Os cientistas estavam inspecionando recifes de coral para infecções por bactérias e fungos; alguns recifes são cada vez mais vítimas dessas doenças. “No final do workshop de quatro dias, todos nós tivemos uma disenteria amebiana, lembrou o Dr. Harvell. Um cientista desenvolveu febre tifóide e nós tivemos que despachá-la.
Debaixo de nossa visão as gramas marinhas desempenham papel fundamental. (Foto: NYT)

Filtrando fertilizantes usados na agricultura

É outro serviço prestado pro elas. Segundo o estudo, as plantas  extraem o escoamento de fertilizantes e outros poluentes da água, prendendo-os com segurança no solo. Os cientistas estimam que um acre de gramas marinhas fornece mais de US $ 11.000 em filtragem todos os anos.

O reconhecimento dos benefícios das gramas marinhas

O crescente reconhecimento da importância destas plantas ocorre no momento em que ela está desaparecendo. Quase um terço dos prados marinhos do mundo morreram desde o século XIX. Vários estudos indicam que  estão desaparecendo em um ritmo acelerado. Na semana passada, o Dr. Orth e seus colegas publicaram um estudo detalhado sobre o recuo das gramas marinhas na baía de Chesapeake, na revista Global Change Biology. Desde 1991, estimam, 29% dos prados da baía desapareceram.

O efeito do aquecimento global

As gramas marinhas também estão sendo atacadas pelas mudanças climáticas. As temperaturas mais quentes do verão em Chesapeake Bay fazem com que as plantas percam muito do seu oxigênio através de suas folhas. Com menos oxigênio para bombear em suas raízes, elas são envenenadas por sedimentos tóxicos. A nebulosidade da água torna o calor ainda pior. Com menos luz solar, as plantas produzem ainda menos  oxigênio. “Temos um duplo golpe”, disse o Dr. Orth.

Gramas marinhas, acumuladoras de dióxido de carbono, o gás que provoca o aquecimento

Os prados de gramas marinhas podem armazenar enormes quantidades de carbono. Seus solos não se decompõem porque têm muito pouco oxigênio. Como resultado, o solo de gramas marinhas em todo o mundo acumulou cerca de nove bilhões de toneladas de carbono. Como os tapetes  desaparecem, esse carbono está sendo liberado de volta ao oceano e pode entrar na atmosfera como dióxido de carbono. Tão terrível quanto a situação se tornou, há motivo para esperança. Nos últimos anos, o Dr. Orth e seus colegas restauraram com sucesso pradarias de gramas marinhas ao largo da costa da Virgínia. “Agora temos 6.200 hectares de ervas marinhas”, disse ele, “onde em 1997 não havia uma única folha de grama”.
O vídeo-animação abaixo mostra a vida marinha neste ecossitema:


Fonte: Mar Sem Fim  via https://mobile.nytimes.com/2017/02/16/science/seagrass-coral-reefs-pathogens-global-warming.html?emc=eta1&referer=.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Palestra - Prof. Dr. Moacyr Araújo (UFPE)





O Laboratório de Dinâmica e Modelagem Oceânica (DinaMO) tem o prazer de convidar a todos para a palestra do Professor Moacyr Araújo (UFPE) intitulada

The PIRATA Program: 20 years of observations in the Tropical Atlantic


A palestra será realizada no dia 05/04/2018, às 16:00 Hs no Auditório João Rocha. 

A visita do Professor Moacyr à FURG é financiada pelo projeto REMARSUL (Edital Ciências do Mar II - CAPES). 

Fonte: Secretaria do IO/FURG

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Dezhou, China, conheça a primeira cidade movida a energia solar do mundo

Dezhou, China,  é uma cidade  na província de Shandong, noroeste da China. Faz fronteira com a capital provincial de Jinan a sudeste, Liaocheng a sudoeste, Binzhou a nordeste e a província de Hebei a norte.

A cidade, com cinco milhões de habitantes,  fica na principal rota ferroviária de Pequim a Xangai, conhecida como Jinghu Railway. É também uma das 23 estações da exclusiva linha de alta velocidade Pequim-Xangai. Dezhou sempre foi um importante centro de transportes desde os tempos antigos, com a sua reputação de “junção de nove artérias” e “Portal da Capital” gradualmente estabelecido.

Dezhou, China, precursora da revolução da energia renovável

Segundo a Deutche Welle, “na cidade quase todos os telhados são cobertos de painéis solares. Existem laboratórios de pesquisa, 100 empresas de energia solar e até um museu solar.” O Washington Post descreveu o Solar Valley de Dezhou como a “versão de tecnologia limpa do Vale do Silício”. 98% da energia consumida em Dezhou vem da energia solar.
Parque público em Dezhou (foto:http://tropicaldesignwiki.org/)
 Atualmente, uma das maiores e mais famosas indústrias de Dezhou é a indústria de energia solar, com duas principais corporações – o Grupo Himin e seu parceiro Ecco Solar Group. Dezhou aumentou sua reputação internacional quando foi selecionada para acompanhar os anfitriões anteriores, Daegu, Coréia do Sul (2004), Oxford, Reino Unido (2006) e Adelaide, Austrália (2008) como anfitrião do Congresso Internacional da Cidade Solar de 2010.  O Grupo Himin tornou-se o maior fabricante mundial de aquecedor solar de água e também está descobrindo novas áreas, como fotoeletricidade.





‘Retirada da natureza nos arredores de Dezhou tem propósito paradoxal – proteger a natureza’

O título acima é do Washington Post. O jornal diz que “desarraigando os últimos vestígios da vida rural na periferia desta cidade do norte da China, trabalhadores com motosserras passaram uma manhã cortando árvores para dar lugar a uma fábrica gigantesca. Um grande estandarte vermelho anunciava o futuro do que costumava ser terra arável: “A Maior Base de Produção de Energia Solar no Mundo Inteiro”.
Em perspectiva maior. (Foto:http://tropicaldesignwiki.org/)
Huang Ming, engenheiro da indústria de petróleo transformado em magnata da energia solar, que está conduzindo um dos mais ousados esforços da China para promover e lucrar com a tecnologia verde, declarou:
"Este é um experimento. É um grande laboratório"

Os custos da cidade solar

O WP informa que “o plano de US $ 740 milhões atraiu cerca de 100 empresas e gerou fábricas, um centro de pesquisa e amplas avenidas iluminadas por luzes movidas a energia solar. Ele destaca a promessa – bem como os limites – dos esforços da China para conciliar desenvolvimento econômico vertiginoso com preocupações ambientais.”
A China detém o incômodo posto de segundo país que mais polui a atmosfera. Por ano são emitidos 1,540,360 t de dióxido de carbono. A poluição gerada chega a ser degradante. Nas questões do mar e zona costeira, o país dá os piores exemplos. Mas, agora, com  novos investimentos, a China procura se redimir. O país investe US$ 90 bilhões por ano no desenvolvimento de energias renováveis. Os USA estão no top do ranking das emissões, com  3,473,600 t por ano.

Assista o vídeo e veja o prodígio que esta cidade conseguiu:

Fonte: João Lara Mesquita via Mar Sem Fim de 29 de março de 2018