quarta-feira, 11 de abril de 2018

Tubarões ou cações, está na hora de conhecer a importância deste predador do topo da cadeia

Tubarões ou cações: sua importância reside no que diz o título, ‘predadores do topo da cadeia de vida marinha’. Ao acabar com eles, como vem acontecendo por motivos fúteis e mesquinhos, a pesca industrial está contribuindo para um tremendo e definitivo abalo em toda a cadeia de vida dos oceanos. Eliminando os tubarões, a pesca acaba com o que os pescadores mais precisam: abundância de peixes!
Morto em Pernambuco (Foto:www.notibras.com)

A importância dos predadores

Predadores de topo de cadeia são responsáveis pela manutenção do equilíbrio no ecossistema marinho. Eles se alimentam de peixes e invertebrados que estão menos aptos à sobrevivência, garantindo a saúde dos estoques pesqueiros de todo o mundo. Ainda assim,  por ano são massacrados cem milhões de tubarões ou cações. O principal responsável pelo massacre é a pesca industrial, mas a esportiva, ao menos no Brasil, também tem sua parcela de culpa. Quanto à sobrepesca, nem se fala.

Conheça os tubarões ou cações

Eles habitam o planeta há mais de 450 milhões de anos. Os tubarões se distribuem em cerca de 470 espécies por todo o mundo (no Brasil são conhecidas 88), variando na sua forma e tamanho. Há os pequenos, como o tubarão-lanterna, o menor do mundo, com 17 centímetros de comprimento…
O tubarão- lanterna se alimenta de pequenos seres vivos que, por sua vez, se alimentam de microorganismos. (Foto: http://topbiologia.com/)  
 até ao maior peixe do mundo, o tubarão-baleia com mais de 12 metros

Tubarão ou cação?

Tubarões ou cações são o mesmo animal. Nome dado vulgarmente aos peixes de esqueleto cartilaginoso e um corpo hidrodinâmico.   A cartilagem é flexível e durável e tem cerca de metade da densidade do osso. Isto reduz o peso do esqueleto, poupando energia. “Geralmente não vivem em água doce, com algumas exceções, como o tubarão-cabeça-chata e o tubarão de água doce que podem viver em ambas.

Os “temíveis” dentes

Dentes de tubarão são incorporados nas gengivas e não diretamente no maxilar, e são constantemente substituídos ao longo da vida. Diversas linhas de dentes substitutos crescem  na parte interna da mandíbula e progressivamente avançam como em uma “escada rolante”; os tubarões ou cações perdem em média 6.000 dentes por ano e chegam a perder 30.000 durante toda sua vida.” 

Expectativa de vida

A expectativa  varia de acordo com a espécie. A maioria vive entre 20 e 30 anos. Algumas espécies, no entanto, como o cação espinhoso, ou o tubarão- baleia, podem viver mais de 100 anos.

As barbatanas dos tubarões

“A maioria dos tubarões ou cações têm oito barbatanas. Tubarões só podem desviar-se de objetos diretamente à sua frente ficando à deriva, porque suas barbatanas não permitem que nadem para trás.” E elas hoje são seus piores inimigos.
Mais de cem milhões são mortos todos os anos, grande parte deles têm suas barbatanas arrancadas e são devolvidos ao mar para morrerem lentamente. As barbatanas tornaram-se sinal de status em países asiáticos. Com elas são feitas insípidas sopas (já que se trata de cartilagem). O Brasil, infelizmente, participa deste massacre.

Flutuabilidade

“Ao contrário dos peixes ósseos, os tubarões ou cações não têm bexigas cheias de gás para a flutuabilidade. Eles dependem de um fígado grande, cheio de óleo que contém esqualeno,  um composto orgânico produzido por todos os organismos superiores. Seu fígado constitui até 30% da sua massa corporal.”

Visão, olfato e audição

“Cientistas acreditam que, como muitos outros peixes, os tubarões são míopes. Sua visão é adaptada apenas para distâncias entre 2 e 3 metros, embora possa ser utilizada para distâncias de até 30 m com menor grau de definição.”
O olfato é, de longe, sua melhor arma. “Ele é extremamente apurado, permitindo-lhes identificar substâncias bastante diluídas na água, como concentrações de sangue, e outros líquidos também,  abaixo de uma parte por milhão, o que equivale a perceberem uma gota de sangue a 300 m de distância em pleno oceano.”
O seu ouvido interno, responsável pelo equilíbrio e detecção das vibrações de baixa frequência, situa-se próxima ao olho. Eles têm grande sensibilidade às vibrações. O tubarão ‘percebe’ o som de um peixe se debatendo a uma distância de 250 a 1500 m. Em conjunto com o olfato, esta sensibilidade às vibrações, é o primeiro mecanismo utilizado na detecção de potencial alimentação.

Reprodução

tempo de gestação é longo, podendo atingir os dois anos. E isso é outro sério problema com a matança que ocorre hoje. Não há tempo suficiente para substituí-los. O número de crias, varia bastante podendo ir de 1 (tubarão tigre da areia) a cerca de 300 (tubarão-baleia). O site  sharks-world.com diz que “aspectos gerais de sua reprodução são crescimento lento e maturidade sexual tardia, ciclos reprodutivos muito longos, baixa fertilidade.

Tubarões ou cações são agressivos, mito ou realidade?

O grande tubarão-branco, que chega a medir até 5,5 metros, ‘foi alçado à fama’ mundial como assassino na década dos 70 com o filme “Tubarão”, de Steven Spielberg. Um desserviço prestado pelo cineasta; encheu seus bolsos de dólares, e sua reputação foi às alturas. Mas depois do filme os tubarões passaram a ser vistos como ‘inimigos a serem abatidos’, o que é um absurdo. Sobre ser um animal “agressivo”, leia o que disse o Dr. Erich K. Ritter, Senior Scientist no  Green Marine Institute, e Professor Assistente na Hofstra University, New York:
"Quando seres humanos usam suas emoções para descrever organismos vivos, chamamos de antropomorfismo. Isso pode se estender do lobo “mau” até a raposa “astuta”,  ou a cobra “falsa”. Mas não significa que o comportamento desses animais corresponda a esses atributos, e sim que os humanos percebem ou interpretam os animais sob essa luz. Um dos melhores exemplos disso é o tubarão “agressivo”.  O tubarão “agressivo” é tão irreal quanto o “adorável” tubarão. Ambos imagens de nossas próprias fantasias."
Por falar em fantasia, este é o raríssimo tubarão fantasma (foto:Foto: Azula) 

As funções dos tubarões ou cações no ecossistema marinho

O site  sharksavers.org diz que “os tubarões evoluíram em uma interdependência estreita com seu ecossistema. Eles tendem a comer de forma  eficiente, indo atrás do peixe velho, doente ou mais lento em uma população, mantendo-a mais saudável. Os tubarões preparam populações  para o tamanho certo, de modo  que essas espécies não causem danos ao ecossistema tornando-se muito populosas.” 
Alguns também buscam no fundo do mar para se alimentarem de carcaças mortas. Removendo os doentes e os fracos, eles impedem a propagação de doenças e previnem surtos que poderiam ser devastadores.  Como os peixes maiores, mais fortes e saudáveis geralmente se reproduzem em maior número, o resultado é um número maior de peixes saudáveis.
O ecossistema oceânico é composto de teias alimentares muito intrincadas. Os tubarões estão no topo dessas teias e são considerados pelos cientistas como “pedras-chave”, o que significa que removê-los faz com que toda a estrutura entre em colapso.

Tubarões mantém habitats saudáveis

Tubarões mantêm leitos de gramas marinhas e outros habitats  saudáveisAtravés da intimidação, os tubarões regulam o comportamento das espécies e impedem-nas de destruir habitats.  Cientistas do Havaí descobriram que os tubarões-tigre tiveram impacto positivo na saúde dos leitos de gramas marinhas. As tartarugas, que são suas presas, pastam na grama do mar. Na ausência de tubarões-tigre, as tartarugas passavam todo o tempo procurando a grama marinha de melhor qualidade e mais nutritiva. 
Tubarão tigre (Foto: Daniel Botelho)      

Esses habitats logo foram destruídos. Quando os tubarões-tigre estão na área, no entanto, as tartarugas pastam sobre uma área mais ampla e não sobrepujam toda uma região. Onde os tubarões são eliminados, o ecossistema marinho perde o equilíbrio. A excessiva pesca de tubarões ou cações já está causando sérios problemas ao mais importante ecossistema marinho, os corais.

Tubarões podem desaparecer nas próximas décadas

Quase 40% de todas as espécies de tubarão estão ameaçadas de extinção. Estes animais, que sobreviveram por 450 milhões de anos, podem desaparecer em breve, mesmo que algumas espécies hoje são estudadas para curar doenças como a osteoporose, por exemplo.
O tubarão elefante é um filtrador. Dele pode vir a cura para a osteoporose 
A crescente demanda por sopa de barbatana aumentou tanto o abate  que muitas espécies estão em vias de extinção. É este o futuro que queremos deixar para as próximas gerações?
Já ficou provado que estes animais valem mais vivos que mortos. Por isso ambientalistas lutam pela criação de santuários de tubarões no Brasil, e no mundo. Eles são tão importantes que são monitorados com satélites.
Fontes:  Mar Sem Fim



segunda-feira, 9 de abril de 2018

IV WORKSHOP SOBRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS EM ZONAS COSTEIRAS

A sub-rede Zona Costeira da Rede Brasileira de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede CLIMA) e o Sistema de Monitoramento da Costa Brasileira (SiMCosta) promovem o IV Workshop sobre Mudanças Climáticas em Zonas Costeiras, com ênfase em Monitoramento e Modelagem. O evento ocorrerá entre os dias 10 a 12 de abril, em Florianópolis, Santa Catarina. Mais informações no site e pelo email workshop.simcosta@gmail.com


Fonte:  Secretaria do IO/FURG

Nova espécie de golfinho é descoberto na Amazônia

Em artigo publicado na revista PLoS One, cientistas liderados por Tomas Hrbek, da Universidade Federal do Amazonas do Brasil, descrevem formalmente o ‘Inia Araguaiaensis’, uma nova espécie de golfinho que habita a bacia do Rio Araguaia. É o primeiro boto de água doce  descoberto desde 1918. 
A nova espécie da bacia do Araguaia (Foto: news.mongabay.com) 

Nova espécie de golfinho isolado por quedas d’água

A descoberta aconteceu depois que Hrbek e seus colegas notaram que um grupo de golfinhos do rio Araguaia foi isolado de outros  por uma série de corredeiras. Análises genéticas demonstraram que o boto (Inia Araguaiaensis) é muito diferente  de outros da Amazônia. O suficiente para ser classificado como uma nova espécie . 

Nova espécie de golfinho e suas diferenças

As diferenças entre o boto do Araguaia e seus parentes próximos, o golfinho do rio boliviano Inia, vão além da genética. A nova espécie é menor, tem um número diferente de dentes; o crânio é mais amplo. Há no mundo cerca de 40 tipos de golfinhos, e muitos deles ameaçados de extinção.
No Brasil, uma das espécies mais ameaçadas são as Toninhas.

Ameaças à nova espécie de golfinho

Mas não se iluda, a nova espécie já está ameaçada. Eles enfrentam riscos de projetos hidrelétricos, poluição das áreas urbanas, e as de  agricultura, tráfego de barcos e pesca acidental.  Além disso sua população é bastante baixa. Aparentemente,  o número é estimado em cerca de 1.000 indivíduos.
Segundo os responsáveis,
"As populações de médio e alto rio Tocantins são fragmentados por seis usinas hidrelétricas, não incluindo a barragem de Tucuruí, e é provável que tenham muito poucos indivíduos."
Para os cientistas,
"a bacia do Rio Araguaia tem  registrado forte pressão antrópica  através de atividades agrícolas e pecuárias, e a construção de hidrelétricas. E todos estes aspectos  têm tido efeitos negativos sobre a biodiversidade local"

Saiba mais sobre os problemas da biodiversidade amazônica.

Fonte: Mar Sem Fim  via  news.mongabay.com


sexta-feira, 6 de abril de 2018

Gramas marinhas, cientistas alertam que estão entre os mais ameaçados ecossistemas

As gramas marinhas evoluíram pela primeira vez dezenas de milhões de anos atrás, quando algumas plantas com flores se deslocaram da terra para o oceano. Elas ainda cultivam flores, pólen e sementes. Mas agora o fazem debaixo d’água, com uma poderosa forma de fotossíntese que lhes permite prosperar em penumbra a profundidades de até 190 pés. Agora, revelam cientistas, elas estão entre os mais ameaçados ecossistemas. A matéria é do New York Times.
Mais um ecossistema marinho ameaçado. (Foto: sciencemag.org)

Onde estão as gramas marinhas?

Em todos os continentes, exceto na Antártida. Os continentes são cercados por vastas extensões de gramas marinhas. São pradarias submarinas que, juntas, cobrem uma área aproximadamente igual à Califórnia.

O papel que elas prestam

Gramas marinhas estão entre os ecossistemas mais ameaçados da Terra. As do Mediterrâneo estão entre as mais predadas. Elas desempenham um papel enorme na saúde dos oceanos. Abrigam importantes espécies de peixes, filtram poluentes da água do mar e armazenam enormes quantidades de carbono que aquece a atmosfera.

Elas também combatem doenças

As plantas também combatem doenças. Uma equipe de cientistas relatou  que as gramas marinhas podem eliminar patógenos do oceano que ameaçam os seres humanos e os recifes de corais. (A primeira dica veio quando os cientistas foram atingidos por disenteria após mergulharem em recifes de coral sem elas.)
Foto: NYT

Desaparecendo a uma taxa de um campo de futebol a cada 30 minutos

Joleah B. Lamb, pesquisadora de pós-doutorado da Universidade de Cornell e principal autora do novo estudo, disse que espera que isso ajude a chamar a atenção para a situação:
"Nós chamamos de gramas marinhas  o  enteado feio dos organismos marinhos. Elas não recebem muito respeito, em comparação aos corais e manguezais"

Gramas marinhas se tornaram mais produtivas do que os campos de milho fertilizados

A declaração é de um dos autores do estudo. Ele explica: ao se espalharem pelo planeta, os prados alteraram o fundo do mar, construíram solo e apoiaram ecossistemas inteiramente novos. Animais como peixes-boi e peixes juvenis passaram a residir onde elas estão. As orcas são uma grande atração turística, mas as pessoas não percebem que os ninhos de ervas são realmente importantes como berçários para os peixes que o salmão exige, e que as orcas também exigem em sua alimentação, disse C. Drew Harvell, biólogo marinho de Cornell, e autor sênior do novo estudo. E prossegue: os seres humanos dependem desses viveiros também. Muitas das espécies capturadas na pesca comercial começam a vida em meio as ervas marinhas. Sem elas, os pescadores pegariam muito menos peixes.

Serviços creditados às gramas marinhas

O sedimento em que elas crescem é carregado com sulfeto de hidrogênio mortal. Elas desintoxicam estes sedimentos bombeando parte do oxigênio que liberam durante a fotossíntese em suas raízes. Na pesca o benefício ainda é maior: em 2014, pesquisadores da Universidade de Cambridge estudaram pradarias  no sul da Austrália para estimar o valor que elas trazem para a indústria pesqueira. Eles estimam que cada hectare  acrescenta cerca de US $ 87.000 por ano. Somente esses serviços tornariam as ervas marinhas entre os ecossistemas economicamente mais valiosos da Terra. Mas agora o Dr. Harvell descobriu que essas plantas podem nos ajudar de outra maneira: eliminando patógenos. Seu novo estudo, publicado na revista Science, começou com uma viagem  na Indonésia. Os cientistas estavam inspecionando recifes de coral para infecções por bactérias e fungos; alguns recifes são cada vez mais vítimas dessas doenças. “No final do workshop de quatro dias, todos nós tivemos uma disenteria amebiana, lembrou o Dr. Harvell. Um cientista desenvolveu febre tifóide e nós tivemos que despachá-la.
Debaixo de nossa visão as gramas marinhas desempenham papel fundamental. (Foto: NYT)

Filtrando fertilizantes usados na agricultura

É outro serviço prestado pro elas. Segundo o estudo, as plantas  extraem o escoamento de fertilizantes e outros poluentes da água, prendendo-os com segurança no solo. Os cientistas estimam que um acre de gramas marinhas fornece mais de US $ 11.000 em filtragem todos os anos.

O reconhecimento dos benefícios das gramas marinhas

O crescente reconhecimento da importância destas plantas ocorre no momento em que ela está desaparecendo. Quase um terço dos prados marinhos do mundo morreram desde o século XIX. Vários estudos indicam que  estão desaparecendo em um ritmo acelerado. Na semana passada, o Dr. Orth e seus colegas publicaram um estudo detalhado sobre o recuo das gramas marinhas na baía de Chesapeake, na revista Global Change Biology. Desde 1991, estimam, 29% dos prados da baía desapareceram.

O efeito do aquecimento global

As gramas marinhas também estão sendo atacadas pelas mudanças climáticas. As temperaturas mais quentes do verão em Chesapeake Bay fazem com que as plantas percam muito do seu oxigênio através de suas folhas. Com menos oxigênio para bombear em suas raízes, elas são envenenadas por sedimentos tóxicos. A nebulosidade da água torna o calor ainda pior. Com menos luz solar, as plantas produzem ainda menos  oxigênio. “Temos um duplo golpe”, disse o Dr. Orth.

Gramas marinhas, acumuladoras de dióxido de carbono, o gás que provoca o aquecimento

Os prados de gramas marinhas podem armazenar enormes quantidades de carbono. Seus solos não se decompõem porque têm muito pouco oxigênio. Como resultado, o solo de gramas marinhas em todo o mundo acumulou cerca de nove bilhões de toneladas de carbono. Como os tapetes  desaparecem, esse carbono está sendo liberado de volta ao oceano e pode entrar na atmosfera como dióxido de carbono. Tão terrível quanto a situação se tornou, há motivo para esperança. Nos últimos anos, o Dr. Orth e seus colegas restauraram com sucesso pradarias de gramas marinhas ao largo da costa da Virgínia. “Agora temos 6.200 hectares de ervas marinhas”, disse ele, “onde em 1997 não havia uma única folha de grama”.
O vídeo-animação abaixo mostra a vida marinha neste ecossitema:


Fonte: Mar Sem Fim  via https://mobile.nytimes.com/2017/02/16/science/seagrass-coral-reefs-pathogens-global-warming.html?emc=eta1&referer=.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Palestra - Prof. Dr. Moacyr Araújo (UFPE)





O Laboratório de Dinâmica e Modelagem Oceânica (DinaMO) tem o prazer de convidar a todos para a palestra do Professor Moacyr Araújo (UFPE) intitulada

The PIRATA Program: 20 years of observations in the Tropical Atlantic


A palestra será realizada no dia 05/04/2018, às 16:00 Hs no Auditório João Rocha. 

A visita do Professor Moacyr à FURG é financiada pelo projeto REMARSUL (Edital Ciências do Mar II - CAPES). 

Fonte: Secretaria do IO/FURG

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Dezhou, China, conheça a primeira cidade movida a energia solar do mundo

Dezhou, China,  é uma cidade  na província de Shandong, noroeste da China. Faz fronteira com a capital provincial de Jinan a sudeste, Liaocheng a sudoeste, Binzhou a nordeste e a província de Hebei a norte.

A cidade, com cinco milhões de habitantes,  fica na principal rota ferroviária de Pequim a Xangai, conhecida como Jinghu Railway. É também uma das 23 estações da exclusiva linha de alta velocidade Pequim-Xangai. Dezhou sempre foi um importante centro de transportes desde os tempos antigos, com a sua reputação de “junção de nove artérias” e “Portal da Capital” gradualmente estabelecido.

Dezhou, China, precursora da revolução da energia renovável

Segundo a Deutche Welle, “na cidade quase todos os telhados são cobertos de painéis solares. Existem laboratórios de pesquisa, 100 empresas de energia solar e até um museu solar.” O Washington Post descreveu o Solar Valley de Dezhou como a “versão de tecnologia limpa do Vale do Silício”. 98% da energia consumida em Dezhou vem da energia solar.
Parque público em Dezhou (foto:http://tropicaldesignwiki.org/)
 Atualmente, uma das maiores e mais famosas indústrias de Dezhou é a indústria de energia solar, com duas principais corporações – o Grupo Himin e seu parceiro Ecco Solar Group. Dezhou aumentou sua reputação internacional quando foi selecionada para acompanhar os anfitriões anteriores, Daegu, Coréia do Sul (2004), Oxford, Reino Unido (2006) e Adelaide, Austrália (2008) como anfitrião do Congresso Internacional da Cidade Solar de 2010.  O Grupo Himin tornou-se o maior fabricante mundial de aquecedor solar de água e também está descobrindo novas áreas, como fotoeletricidade.





‘Retirada da natureza nos arredores de Dezhou tem propósito paradoxal – proteger a natureza’

O título acima é do Washington Post. O jornal diz que “desarraigando os últimos vestígios da vida rural na periferia desta cidade do norte da China, trabalhadores com motosserras passaram uma manhã cortando árvores para dar lugar a uma fábrica gigantesca. Um grande estandarte vermelho anunciava o futuro do que costumava ser terra arável: “A Maior Base de Produção de Energia Solar no Mundo Inteiro”.
Em perspectiva maior. (Foto:http://tropicaldesignwiki.org/)
Huang Ming, engenheiro da indústria de petróleo transformado em magnata da energia solar, que está conduzindo um dos mais ousados esforços da China para promover e lucrar com a tecnologia verde, declarou:
"Este é um experimento. É um grande laboratório"

Os custos da cidade solar

O WP informa que “o plano de US $ 740 milhões atraiu cerca de 100 empresas e gerou fábricas, um centro de pesquisa e amplas avenidas iluminadas por luzes movidas a energia solar. Ele destaca a promessa – bem como os limites – dos esforços da China para conciliar desenvolvimento econômico vertiginoso com preocupações ambientais.”
A China detém o incômodo posto de segundo país que mais polui a atmosfera. Por ano são emitidos 1,540,360 t de dióxido de carbono. A poluição gerada chega a ser degradante. Nas questões do mar e zona costeira, o país dá os piores exemplos. Mas, agora, com  novos investimentos, a China procura se redimir. O país investe US$ 90 bilhões por ano no desenvolvimento de energias renováveis. Os USA estão no top do ranking das emissões, com  3,473,600 t por ano.

Assista o vídeo e veja o prodígio que esta cidade conseguiu:

Fonte: João Lara Mesquita via Mar Sem Fim de 29 de março de 2018

quinta-feira, 29 de março de 2018

Proantar está ‘gravemente ameaçado’ dizem pesquisadores brasileiros

A pesquisa brasileira nunca foi levada a sério. Sempre lutou contra ameaças por falta de investimentos. Mas agora a situação piorou. Pesquisadores dizem que o programa brasileiro na Antártica, o Proantar, está gravemente ameaçado em razão da crise financeira nacional.
Simulação da nova Base Comandante Ferraz em Rei George (Ilustração: Marinha do Brasil)

A matéria é de Herton Escobar, publicada pelo Estadão. Uma carta assinada por 17 lideranças científicas do programa, enviada na semana passada ao ministro da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab, e ao comandante da Marinha do Brasil, Bacelar Ferreira, diz que
"Infelizmente não há recursos financeiros para compra de equipamentos científicos da estação e, mais grave, para o financiamento de projetos científicos e bolsas de estudos"
E isso pode acontecer justamente no ano em que o Brasil pretende inaugurar sua nova base na Antártica (2019), que custou US$ 100 milhões de dólares.

Incêndio na Base Ferraz em 2012

Este foi um ano trágico para o Brasil na Antártica. Três graves acidentes aconteceram. O incêndio que destruiu a antiga base, o afundamento de uma balsa da MB que levava óleo dos navios polares até a praia, e o naufrágio do Mar Sem Fim. De lá para cá o Proantar sofreu as consequências de não ter uma base fixa.
O Ary Rangel
 Nos verões, as poucas pesquisas eram feitas a bordo dos navios polares brasileiros, o Comandante Maximiliano, e o Ary Rongel. Enquanto isso, a nova base era construída. Agora, quando esta prestes a ser inaugurada, a falta de verbas ameaça a presença brasileira no Continente Branco.
O Comandante Maximiliano

Tratado Antártico

O país aderiu ao tratado em 1975. Em 1982 foi criado o PROANTAR, o Programa Antártico Brasileiro, já que o tratado exige que cada país membro do ICAR – Comitê Científico para Pesquisas Antárticas- realize “substancial atividade de pesquisa científica” para manter seu direito ao voto. Segundo o o glaciologista Jefferson Cardia Simões, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e vice-presidente do Comitê Científico para Pesquisas Antárticas,
"Não basta a presença militar, tem de haver ciência"

Último edital do PROANTAR

Herton Escobar explica que “o último edital federal dedicado à pesquisa antártica foi lançado em 2013, no valor de R$ 14 milhões, para financiar 19 projetos por três anos – dinheiro liberado com três anos de atraso e já esgotado, segundo os cientistas. Um dos Institutos Nacionais de Ciência Tecnologia (INCTs) dedicados à Antártida encerrou suas atividades neste mês e o outro, chamado INCT da Criosfera, foi renovado até 2022, mas só tem recursos para mais uma operação antártica”

Apelo dos cientistas

"Rogamos a vossas excelências que sejam estudadas ações emergenciais para darmos continuidade às pesquisas científicas na Antártida e não tenhamos a situação insólita de uma casa antártica sem cientistas"
Assim termina a carta, obtida com exclusividade pelo Estado.

‘A ciência na pode pagar a conta’

Herton escreveu: “Casa vazia não faz ciência”, resume Simões. O resultado, diz, pode ser uma estação científica com alma do Mané Garrincha, em Brasília: um estádio de futebol sem futebol, bonito por fora e vazio por dentro. Segundo ele, “a ciência não pode pagar a conta” de uma estação com finalidades mais geopolíticas do que científicas.

O desabafo do cientista

Pelas palavras de Cardia,  “a ciência não pode pagar a conta de uma estação com finalidades mais geopolíticas do que científicas”, demonstra que a falta de verbas não é novidade. Mas, pará-las totalmente seria uma decisão mesquinha e mixa do governo brasileiro. Não podemos permitir que isso aconteça. Não só a presença brasileira é fundamental, como as pesquisas que, a despeito da eterna falta de verbas, sempre foi das mais respeitadas entre os países ditos ‘em desenvolvimento’.

O Mar Sem Fim espera que vença o bom senso. O Brasil não pode ficar fora da Antártica!

Fonte: Mar Sem Fim