segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Lagarto exótico: mais ameaças ao litoral de SP

Lagarto exótico, oriundo de Cuba, ameaça o litoral de São Paulo

Um estudante de Biologia Ricardo Samelo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na Baixada Santista, fotografou um lagarto exótico na região e compartilhou a imagem, em agosto de 2015, em um fórum de especialistas. Um dos membros do grupo viu a foto que, imediatamente, “causou comoção” na comunidade. Segundo este observador, o biólogo Ivan Prates,
"…todos perceberam que não era um animal da fauna brasileira. Ficamos intrigados e logo começou uma discussão sobre que espécie seria"
O indesejável lagarto exótico cubano

Matéria de O Estado de S. Paulo revela mais uma espécie, desta vez um lagarto exótico, oriundo de Cuba, ameaçando a fauna nativa

Dois anos depois da descoberta a revista South American Journal of Herpetology  publicou um estudo liderado pelo pesquisador Ivan Prates, da Universidade da Cidade de Nova York.
Foi uma história parecida com a de detetives que investigam um crime. A primeira  hipótese  foi a de que o lagarto poderia ser um Anolis carolinensis – única espécie do vasto grupo dos Anolis que ocorre nos Estados Unidos. Prates,
"…logo reconheci que o bicho tinha parentesco com o grupo Anolis. Mas trata-se de um gênero muito diverso, com muitas espécies – várias delas bastante similares –, o que dificultava o reconhecimento, especialmente com base em uma foto na internet"
"À medida que conversávamos, as pessoas nos indicavam outras que tinham informações. A população é leiga, mas conhece bem a fauna local. Descobrimos que os bichos são muito abundantes."
Em Guarujá, São Vicente e Santos, acharam grandes quantidades do lagarto, coletaram espécies e amostras para levar ao laboratório e fazer identificação com base no DNA

De volta a Nova Iorque

Em Nova York, foram usadas técnicas genéticas para caracterizar e identificar o lagarto exótico.
"Foi aí que descobrimos algo inesperado: não se tratava do Anolis originário dos Estados Unidos. A composição genética era diferente. Era a espécie Anolis porcatus, proveniente de Cuba"
Segundo o pesquisador os animais descobertos em Santos foram os primeiros  na América do Sul. Mas não os primeiros fora de Cuba: já havia localizações na Flórida e na República Dominicana.

Hipótese mais provável para a vinda do lagarto exótico de Cuba

O Estadão diz que o animal foi encontrado em áreas residenciais do bairro da Alemoa, área contígua ao porto, onde há intensa movimentação de cargueiros. O bairro é repleto de depósitos onde são empilhados milhares de contêineres.
Por isso, levantamos a hipótese de que o animal chegou ao Brasil acidentalmente por via marítima, embarcado em contêineres. Provavelmente os navios também os levaram à República Dominicana e talvez Flórida e Espanha

Problemas da introdução voluntária, ou não, de espécies exóticas

De acordo com cientistas a maior causa de perda de biodiversidade no mundo é o desaparecimento de habitats. A segunda, a introdução de espécies exóticas. Sem predadores naturais, eles se proliferam e tomam o lugar da fauna nativa.

Problemas provocados por espécies exóticas na Ilha Anchieta, litoral Norte de São Paulo

Em 1983 a Fundação Parque Zoológico, de São Paulo, introduziu mais de cem animais exóticos na Ilha Anchieta, hoje um Parque Estadual Marinho. Um desastre provocado por quem não poderia. Entre outras espécies soltaram capivaras, saguis, tatus, quatis e cutias. Algumas não resistiram ao novo habitat, outras, entretanto, se multiplicaram de forma impressionante.
Anos depois recebi do biólogo Fausto Pires de Souza, da Fundação Florestal de São Paulo, diversos estudos sobre os problemas da ilha Anchieta. Um deles, publicado pela revista Ciência Hoje, em março de 2008, não deixa dúvidas.
"a população de cutias cresceu mais de 145 vezes, seguida pela dos tatus- galinha (134 vezes), de sagüis-de-tufo-preto (130 vezes), de capivaras (41 vezes), e de quatis (11 vezes)"
O estudo vai além:
" as espécies afetam o restabelecimento da vegetação e a estrutura das comunidades de suas presas, como aves."
Os problemas são conhecidos. Foram estudados por especialistas. Mesmo assim o  Governo de São Paulo, através da Secretaria de Meio Ambiente, e da própria Fundação Florestal encarregada de tomar conta das unidades de conservação paulistas, não age. Se numa ilha pequena a ação que seria mais simples não acontece, imagine se alguma medida será tomada com relação aos lagartos cubanos. Ganha um doce quem acertar o que vai acontecer…

Fonte: Mar Sem Fim


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