quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Brasil investe em pesquisas no Oceano Atlântico

Com 8500 quilômetros de costa e centenas de cientistas marinhos, o Brasil tem tudo o que um país precisa para marcar o hall de pesquisas oceânicas. O que faltava, entretanto, era um navio com porte adequado para investir a fundo no poder marítimo. Não falta mais. Em julho, a Marinha brasileira apresentou o novo navio de pesquisa oceânica do país, batizado como “Vital de Oliveira”.

O texto “Brazil looks to project scientific power on the Atlantic”, de Herton Escobar, publicado  no periódico Science, fala sobre as grandes expectativas acerca da embarcação. "Estamos ansiosos para colocar este navio para trabalhar e começar a preencher algumas das grandes lacunas de dados que ainda existem no Oceano Atlântico Sul", comemorou Andrei Polejack, Coordenador para Mar e Antártica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. “É a aplicação da tecnologia e do conhecimento do mar na defesa nacional. O navio impulsiona nosso poder de dissuasão porque trabalha com oceanografia física, que mede a temperatura da superfície do mar, a qualidade e suas propriedades, facilitando, por exemplo, missões com submarinos”, complementa o Ministro da Defesa, Jaques Wagner*.

Todavia, o investimento preocupa alguns pesquisadores, no sentido de que pode ocorrer a prospecção indiscriminada de recursos naturais. Isso porque a embarcação, de R$ 162 milhões, foi comprada por meio de um acordo de cooperação entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Ministério da Defesa (MD), a Petrobrás e a Vale – sendo as duas últimas as maiores empresas de petróleo e mineração do Brasil. "Temo que o nosso acesso ao navio seja limitado", lamenta Michel Mahiques, oceanógrafo da Universidade do Instituto Oceanográfico de São Paulo.

Com poucos navios de investigação ativos na área, o Oceano Atlântico Sul é uma caixa preta, com dados escassos disponíveis em seus padrões de circulação, temperatura, salinidade, biomassa, fluxo de carbono e outros parâmetros básicos. As pesquisas tendem a contribuir para que essas informações sejam conhecidas, além de “ajudar a melhorar nossos modelos de previsão meteorológica para a região, especialmente em relação a eventos extremos, como ciclones tropicais", de acordo com Ronald Souza, oceanógrafo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Marcelo Santini, oceanógrafo e meteorologista do INPE e da Universidade Federal de Santa Maria, se declarou "extremamente impressionado" com as capacidades do navio. "É realmente um grande passo acima de qualquer coisa que temos disponível hoje”.

Segundo Escobar, o Vital de Oliveira é um navio de 78 metros de extensão, com 30 dias de autonomia e carregado de proa a popa com instrumentos científicos de última geração, incluindo um robô submarino com capacidade para mergulhar até 4 mil metros de profundidade – algo inédito na frota de pesquisa nacional.

Science

O texto de Herton Escobar, bem como a imagem do Vital de Oliveira, podem ser acessados pelos usuários do Portal de Periódicos na edição de 7 de agosto do periódico Science. A publicação trata de assuntos relacionados a pesquisas científicas, notícias globais e comentários gerais.

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Alice Oliveira dos Santos  

Fonte: Página de notícias do Portal Periódicos CAPES , artigo de 28 de agosto de 2015. 

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